O que estava ruim ficou pior. A última pesquisa do Datafolha mostra que 75% dos brasileiros acham que o Supremo Tribunal Federal tem poder demais e 55% acreditam que há ministros da corte envolvidos no caso do Banco Master. Esses índices mostram que há um descontentamento generalizado com o Supremo, superando as bolhas impostas pela polarização política. Ou seja, esquerdistas, centristas e direitistas, em sua maioria, estão insatisfeitos com o STF.
Mas alguns juízes acham que a melhor defesa é o ataque. E começam a articular um projeto que ganhou o maldoso apelido de “PEC do Andador”, que ampliaria o limite da aposentadoria compulsória dos ministros de 75 para 80 anos de idade. Em um momento no qual se discute abertamente mecanismos para conter o poder da alta corte, incluindo a introdução de um mandato para novos juízes, esse tipo de iniciativa só poderá criar ainda mais animosidade entre o STF e a sociedade.
A distância entre os ministros e os brasileiros se tornou evidente. A corte parece operar em um ambiente isolado, pouco permeável ao sentimento público e às demandas por transparência. A percepção de que os magistrados se colocam acima de qualquer forma de controle institucional alimenta a ideia de que o tribunal perdeu sensibilidade para compreender o impacto de suas decisões no cotidiano das pessoas.
Essa falta de sintonia se manifesta na resistência a discutir mecanismos de autocontenção e na demora em adotar um código de ética claro e público. Em um país no qual todas as instituições são cobradas por governança, a ausência de regras explícitas para ministros do Supremo é vista como um anacronismo. A impressão é a de que a corte se considera imune a críticas e blindada contra qualquer tentativa de modernização.
O contraste entre a postura dos ministros e o sentimento da população amplia o desgaste institucional, criando um ambiente de tensão permanente. Nele, decisões judiciais passam a ser recebidas com desconfiança, independentemente de seu mérito jurídico.
A insistência em ampliar prerrogativas, como no debate sobre a aposentadoria compulsória, reforça a percepção de que o tribunal age em benefício próprio. Esse movimento lembra o de líderes do passado. Essas figuras históricas, ao ignorarem sinais de alerta, acabaram subestimando o ambiente ao seu redor.
É possível comparar a atitude dos ministros com os movimentos finais de Napoleão na Batalha de Waterloo. Assim como o imperador francês acreditou que sua experiência e autoridade seriam suficientes para superar o duque de Wellington e as tropas prussianas, parte do Supremo parece acreditar que sua posição institucional basta para conter o desgaste. A história mostra que ignorar o terreno e subestimar o adversário pode levar a derrotas inesperadas. Neste caso específico, o adversário do Supremo parece ser a maioria do povo brasileiro.