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O novo executivo financeiro no Brasil

Os executivos financeiros tiveram uma temporada de excepcional importância entre a década de 1980 e o Plano Real. Sem alguém de calibre para pilotar as finanças de uma empresa, a possibilidade de se fechar as portas por conta da inflação era enorme – ou então deixar de ganhar dinheiro com a gestão de estoques e aplicação das sobras de caixa no overnight. Para empresas muito capitalizadas, inclusive, as receitas financeiras se tornaram uma parcela importante do resultado final dessas corporações.

Hoje, quando vemos a inflação novamente a galopar pelo Brasil, os executivos financeiros voltaram à ribalta. Mas seu papel hoje é bem mais estratégico do que antes. Os chamados CFOs (Chief Financial Officers) estão na primeira linha de importância para qualquer empresa que mire o crescimento. Afinal, são esses executivos que buscam recursos de terceiros para financiar projetos importantes através de aportes de private equity ou de venture capital.

Foi neste cenário que o Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças, o IBEF, se reuniu entre quinta-feira e ontem, na Ilha de Comandatuba. Em meio a uma programação que promovia a integração dos associados através de atividades esportivas, a entidade promoveu palestras técnicas e instigantes.

A trajetória da empreendedora social Aretha Duarte (imagem), por exemplo, inspirou centenas de espectadores. Trata-se de uma história de superação: uma catadora de sucata que resolve escalar o monte Everest e consegue realizar seu sonho. Para isso, recolheu 130 toneladas de ferro-velho, além de obter contribuições de empresários, para partir em uma jornada de 54 dias no gelo.

Chama a atenção como a superação através do esporte inspira e motiva as pessoas. Isso pôde ser visto claramente na palestra de Aretha e nas atividades promovidas durante todo o feriado. Os executivos financeiros são vistos pela sociedade como pessoas competitivas – e isso ocorre também no campo esportivo. Apesar disso, o clima de camaradagem e respeito aos competidores reinou em todas os torneios.

Foi o primeiro evento que o IBEF realiza desde a pandemia de 2020.

Os dirigentes mais veteranos do instituto se surpreenderam com o grau de renovação que houve nas diretorias financeiras das empresas neste período. Um deles arriscou um palpite: o de que não conhecia 80 % do público do evento quando estava recepcionando os participantes.

A renovação não é apenas de nomes e de pessoas. Mas também de mentalidade. Os executivos financeiros não são apenas aqueles indivíduos encarregados de proteger o caixa e de pagar as contas que lhes são apresentadas. Eles também interferem nas estratégias da empresa e sabem como moldar as companhias aos novos tempos, nos quais é preciso captar dinheiro no mercado.

Além disso, os departamentos financeiros estão utilizando cada vez mais tecnologia, deixando tarefas de baixo valor agregado para programas e algoritmos. “Em muitos casos, o CFO é centro nervoso de uma operação, especialmente em um país como o Brasil, no qual o sistema tributário é complexo e intrincado”, diz Augusto Martins, diretor executivo de Corporate e Investment Banking do Banco Alfa, um dos patrocinadores do evento.

A capacidade de se dar bem em um país como o nosso é de suma importância para executivos que desejam uma carreira internacional – ou de expatriados que enxergam no mercado brasileiro uma oportunidade única para ascender na estrutura das multinacionais. No final dos anos 1980, escrevi em EXAME uma reportagem chamada “The Boys From Brazil”, na qual mapeei alguns nomes que estavam no topo de grandes empresas e tinham passado por nosso mercado. Roger Enrico, da Pepsi-Cola, que fez a rival Coca-Cola tremer, foi um deles. Mas nenhum era tão grato à experiência brasileira como Paul Orefice, que chefiou a operação da Dow em São Paulo antes de se transformar no CEO global da empresa. “Devo muito do meu sucesso à experiência que acumulei na selva financeira do Brasil”, disse ele na ocasião.

Como dizem por aí, nosso país não é para amadores. Mas, em se tratando de Finanças no Brasil, é preciso mais do que ser um profissional do ramo. Para ser um CFO brasileiro é preciso foco, talento e criatividade em doses cavalares. E um jogo de cintura em sintonia com os solavancos que nossa economia sofre quase que diariamente. Não é à toa, portanto, que o prêmio distribuído pelo IBEF aos filiados que se destacaram no ano tenha um nome sugestivo: Troféu Equilibrista.

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