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O lado bom do Brasil que estamos esquecendo

Ontem, durante evento realizado por MONEY REPORT, tomei uma ducha de otimismo. Parece loucura, não? Afinal, estamos em meio a uma pandemia sem vacinas e enfrentando seguidas crises políticas nos últimos meses. O que poderia estar dando certo?

No front do mundo privado, há inúmeras iniciativas promissoras, que trazem alento a quem deseja enxergar exemplos de sucesso e capacidade de driblar os problemas gerados pela economia em tempos de coronavírus.

No painel de logística, ouvimos o depoimento de um empresário que usou a pandemia a seu favor. “Crescemos dez anos em um”, disse Fabio Baracat, CEO da Sinerlog. A empresa usou a tecnologia para acelerar processos de importação e exportação de pessoas físicas. Usando equipes em Miami e na China, consegue fazer uma pré-inspeção dos produtos que serão levados ao Brasil, o que reduz os prazos de 28 para até 4 dias. Tudo é feito através da conta “Compra Fora”, dos Correios, que utiliza a plataforma tecnológica criada por Baracat. Hoje, o principal negócio da empresa é a importação, mas os planos são de criar mecanismos para que a pequena empresa exportadora utilize o mesmo sistema.

Também escutamos Fernando Yunes, vice-presidente sênior do Mercado Livre. O e-commerce, como se sabe, explodiu durante a pandemia. Mas o Mercado Livre criou sua própria estrutura. Antes, era responsável por 5 % de sua operação de logística. Em 2020, no entanto, investiu na área e hoje responde por 90% de seu armazenamento e de suas entregas. Seu maior desafio para 2021? Contratar mais 10 000 colaboradores para se somar a uma equipe que já conta com 15 000 pessoas.

O mercado imobiliário é outro que passa por um processo vertiginoso de crescimento. Um dos palestrantes, Alexandre Frankel, CEO da Housi e chairman da Vitacon, mostrou que esse mercado está se expandindo por conta dos juros baixos, mas que experimenta mudanças estruturais. Segundo suas pesquisas, 82 % da nova geração não querem comprar um imóvel para viver. Ou seja, de um lado há investidores que desejam uma rentabilidade superior à do mercado de renda fixa; de outro, pessoas que desejam alugar residências. Isso vai provocar transformações significativas. Hoje, 20 % dos imóveis comprados junto à Vitacon são destinados à locação. Em questão de poucos anos, esse percentual chegará a 50%. Mas um grande investimento neste mercado não deverá reduzir o preço dos aluguéis. “Ainda temos um déficit habitacional de 2 milhões de unidades anuais no Brasil”, diz Frankel. “Por isso, o mercado ainda tem muito espaço para crescer sem perder a rentabilidade”.

O evento também mostrou que é possível enxergar o lado bom de medidas que vem sendo malhadas sistematicamente pela imprensa e pela oposição ao governo.

Um exemplo disso, levantado pelo banqueiro André Esteves, sênior partner do BTG Pactual, é a PEC Emergencial, que extingue os gastos mínimos com educação e saúde em todas as esferas do poder público (federal, estadual e municipal). A proposta foi bastante criticada justamente por acabar com as despesas carimbadas em setores vistos como vitais por boa parte da sociedade.

Mas, por outro lado, Esteves pondera que a PEC traz em seu bojo vários mecanismos de ajuste fiscal que podem ser utilizados quando as finanças públicas estão indo mal – especialmente quando a arrecadação tributária cai, como hoje. “Se o gestor estiver gastando mais do que arrecada, ele poderá cortar suas despesas”, afirma Esteves. “Quando atingir o equilíbrio, voltaria ao normal. Com o tempo, os eleitores vão reconhecer aqueles gestores que são melhores”.

A PEC, ainda, equaliza o conceito de contabilidade pública. No quesito “gastos com pessoal”, por exemplo, cada município tem seu próprio método de contabilizar certas despesas – alguns, diga-se, não colocam no teto de gastos auxílio dos funcionários com o ensino. A proposta de emenda constitucional cria regras comuns e as torna transparentes. “Não tem truque”, afirma Esteves. “Nós, como sociedade, temos que apoiar e ajudar o Congresso a ir na direção da racionalidade”.  

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