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Hoje é sexta-feira: você irá ao escritório?

Todos os dias, você acorda, faz sua higiene pessoal, toma um café e abre suas redes sociais (não necessariamente nessa ordem). Mas, no quinto dia útil da semana, acontece algo distinto. Recebemos pelo menos uma mensagem dos amigos (virtuais ou não) avisando que aquela data é diferente das outras: “sextou”, dizem essas postagens. Para os mais velhos, isso significa o prenúncio de final de semana, o descanso dos guerreiros: a geração de executivos que hoje tem mais de cinquenta anos aproveitava essa data para almoços mais longos, muitas vezes regados a doses de álcool. Ou para ir embora mais cedo do trabalho.

Ou seja: a sexta feira nunca foi muito encarada a sério pela maioria da força de trabalho. Sempre foi, basicamente, aquele empecilho que separava você do fim de semana. Assim, o melhor a fazer seria empurrá-la com a barriga e esperar o final de expediente para aproveitar o descanso.

A nova geração, porém, está levando essa realidade a um novo patamar. Uma recente reportagem do Washigton Post mostra, de acordo com dados levantados pela empresa de segurança Kastle Systems, que apenas 30 % dos funcionários aparecem para trabalhar às sextas-feiras nas empresas americanas. É o menor índice de comparecimento entre os dias da semana.

Os mais jovens, tanto nos Estados Unidos como no Brasil, preferem os chamados empregos híbridos, nos quais os funcionários podem combinar presença física e virtual. Com isso, as sextas-feiras vão sendo definitivamente canceladas no calendário. Até empresas consideradas sisudas estão se adaptando aos novos tempos. O Citigroup decretou que as sextas são “zoom-free” (sem reuniões virtuais pelo Zoom) e a KPMG instituiu as “no-camera fridays” (sextas sem câmeras). Detalhe: nas duas corporações, o expediente semanal é oficialmente encerrado às 3 horas das sextas, durante a estação de verão.

Uma executiva ouvida pelo Post está entusiasmada com a semana de quatro dias úteis, dizendo que o trabalho é executado da mesma forma e que as pessoas continuam a bater suas metas. Diante disso, me arriscando a ser chamado de ranzinza, eu pergunto: o que virá depois? Uma semana sem segunda-feira, útil apenas de terça a quinta?

A semana de trabalho sem sexta-feira já afeta alguns negócios em solo americano. Restaurantes e garagens sentem a falta de movimento no último dia útil e estão adequando seus quadros de trabalho à nova realidade de mercado. Em bom português? Estão mandando gente embora.

Com o risco de ser tachado de “old school”, antiquado e ultrapassado, preciso questionar essa atitude. Se o trabalho é feito da mesma maneira, isso significa que a produtividade das sextas-feiras, antes, devia ser tão ruim que esse dia útil a menos não fez diferença alguma. Não seria mais lógico tentar melhorar a produtividade das sextas em vez de simplesmente ricscá-las do calendário?

Muita gente comemora o desaparecimento do trabalho às sextas. Comigo, acontece exatamente o contrário: eu me forço a parar de trabalhar nos sábados e domingos. Se eu não me proibir, continuo entrevistando pessoas ou escrevendo durante o final de semana. Para mim, não é nenhum esforço extraordinário. Pelo contrário, é quase que uma diversão.

Podem me tachar de maluco. Mas, pelo menos, não estou sozinho no mundo – esta é a sina de todo empreendedor. Só agora eu entendo o meu pai, quando ele abriu uma empresa que trabalhava com projetos culturais durante os anos 1980, chamada “Ideia Livre”. Eu ia visitá-lo nos finais de semana e ele só falava de propostas que tinha feito, pedindo opiniões e conversando sobre um mercado criado pela chamada Lei Sarney (uma predecessora da Lei Rouanet). Depois de vários meses ouvindo essa ladainha, disse a ele: “Você deveria mudar o nome da empresa para “ideia fixa”, de tanto que fala nela”.

Hoje, algumas décadas depois, percebo que me transformei nessa mesma pessoa. E me vigio para não ficar falando sem parar sobre meus projetos e ideias com amigos e familiares. Para o empreendedor, todo dia é segunda-feira. E toda segunda-feira é absolutamente fabulosa, pois sempre haverá uma oportunidade a ser percebida ou uma ideia a ser implementada.

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Comentários

2 respostas

  1. Pois é Aluízio, quantas mudanças e tão rápidas não?
    Será que só teremos empresas “nas nuvens” no futuro próximo?
    Abraço
    Antonio Lino

  2. Pois é Aluízio, quantas mudanças e tão rápidas não?
    Será que só teremos empresas “nas nuvens” no futuro próximo?
    Abraço
    Antonio Lino

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