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A calça que marcou uma geração volta ao mercado

“Liberdade é uma calça velha, azul e desbotada, que você pode usar do jeito que quiser”. Essa frase despretensiosa fez a cabeça da minha geração e de todos que viram aquele comercial em 1976, incluindo os mais velhos. O filme de trinta segundos era simples, mas eficiente: começava com uma locomotiva, que iria parar em uma estação cheia de jovens bonitos e vestidos de jeans da cabeça aos pés. O jingle, de autoria de Sergio Mineiro e Beto Ruschel (algumas fontes dizem que o compositor Renato Teixeira também é um dos pais da criança), tinha uma melodia que grudava na cabeça.

 Cada vez que esse comercial entrava na programação, eu parava tudo e ficava parasilado por meio minuto, absolutamente embevecido. Tinha 13 anos de idade, cabelos compridos e era um adolescente com visual pós-hippie. Mais que isso: sonhava com a independência da vida adulta e com uma vida cheia de aventura e glamour. Eu queria ser um daqueles rapazes e namorar aquelas meninas que sorriam no vídeo.

O caminho para isso era a calça do comercial: a US Top, que desbotava e perdia o vinco. “Seu jeito de viver”, prometia a canção. Infernizei a minha mãe desde que vi pela primeira vez essa propaganda em um intervalo da novela Estúpido Cupido. Ela resistiu dois dias e me levou a uma loja perto de casa para comprar a roupa. Usei logo no dia seguinte, orgulhoso de ser um dos primeiros a desfilar com jeans pela escola.

Lembro inclusive de uma discussão no intervalo das aulas. Um dos amigos vestidos com a US Top disse que aquela era a primeira calça jeans do Brasil. Eu retruquei que tinha usado calças Far-West e Rancheira quando criança. Mas que aquela era muito mais legal. O outro colega que também tinha a calça falou que o bacana mesmo era ficar lavando a peça até ela ficasse mais clarinha, bem desbotada. Cheguei em casa e pedi para que lavassem a calça. Depois de algumas lavagens, a calça começou realmente a desbotar e fiquei ainda mais orgulhoso de usá-la por aí.

Essa marca, idolatrada por milhares de jovens como eu, está voltando ao mercado, através da Cia. dos Jeans, também dona dos modelos Vilejack e Wrangler, clássicos de décadas passadas. Confesso que, ao saber disso, fiquei saudosista e entusiasmado com o poder de uma grife do passado. Mas minha paixão pela US Top, admito, foi efêmera. Logo ela deu caminho aos jeans da Lee e da Levi’s, que entraram legalmente no país no final da década de 1970. E, um pouco mais tarde, aos da Soft Machine, McKeena e Fiorucci.

Meu interesse pela US Top seria revivido nos anos 1980 com a fabulosa campanha das camisas da grife. Quem não falou “bonita camisa, Fernandinho” para um amigo nessa época? Aliás, sobre esse famoso comercial, uma curiosidade. O ator que fazia o chefe era o ator Nello de Rossi, dono do restaurante Nello’s, em Pinheiros. E o “Fernandinho” era o papel de Daniel Roland, que foi baterista, naquela mesma época, da banda Metrô, que emplacou vários sucessos tendo como vocalista a cantora Virginie.

Estamos no meio de um feriado prolongado e longe de São Paulo. Mas na semana que vem vou até uma loja comprar meu jeans US Top. Já não tenho os mesmos desejos do passado. Mas quero ajudar aqueles que reviveram uma de minhas marcas favoritas da adolescência.

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Comentários

3 respostas

  1. Entendi que a US top Antecedeu a Lee e Levis. Se é isso que foi dito, gostaria de corrigir porque a Lee e Levis foi uma febre na década de 1960. Eu tinha loucura por uma delas e nunca consegui usar. Era cara e contrabandeada.

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