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A bolsa chinesa para pequenas empresas escancara a estagnação brasileira

O presidente da China, Xi Jinping, anunciou no começo de setembro a abertura de uma nova bolsa de valores em Pequim para pequenas e médias empresas, a Beijing Securities Exchange Limited Company (BSE). Segundo a imprensa oficial chinesa, o governo comunista quer reforçar o nível de abertura econômica e expandir a cooperação internacional. A questão que fica é se uma bolsa para pequenos funcionaria no Brasil. Há resposta está mais no modo como os agentes econômicos locais percebem a realidade.

O economista e professor da FEA-USP, Paulo Roberto Feldmann, explicou que no Brasil não há expectativas para a criação de algo do gênero. Segundo ele, as empresas e bancos locais não possuem a mesma cultura e há um enorme medo no investidor de perder dinheiro ao colocar capital em pequenas empresas. Mas não se trata de uma novidade.

“Nos EUA, por exemplo, é algo completamente normal. A China segue a mesma linha de pensamento. O país abraçou a ideia de defender a pequena empresa, pois estas geram empregos e têm condições de competir com as grandes empresas em alguns setores, impedindo o domínio crescente destas”, explicou Feldmann. “Nós, brasileiros, somos conservadores demais com o dinheiro. É um traço nosso. Os americanos, por exemplo, apostam e arriscam. Muitas vezes dá errado, mas quando acertam, vale a pena”, completou.

O que não tiver em volume, a BSE quer compensar com agilidade. Os registros de IPOs serão mais rápidos e a regulação vai permitir oscilações de até 30% por dia, enquanto que o limite é de 30% nas bolsas de Shenzhen e de Xangai. Shenzhen centraliza grandes companhias de tecnologia e de empresas de pequeno e médio porte, enquanto a de Xangai (imagem) atua com grandes empresas, como estatais, bancos e companhias de energia – a Bolsa de Hong Kong é independente e, por acordos internacionais, está fora do alcance de Pequim.

Em termos macro, os analistas americanos não parecem preocupados com a iniciativa. Essa é a terceira vez que o país tenta criar um mercado para os pequenos. Só que agora parece que a coisa andará, mas sem causar estragos na Nasdaq. Ao serviço chinês da Voz da América, o VOA Mandarim, o professor de finanças da Universidade da Flórida, Jay Ritter, afirmou que o principal concorrente da BSE será o Growth Enterprise Market (GEM), da Bolsa de Hong Kong. Ritter comentou que pequenas empresas chinesas levantam de US$ 10 milhões a US$ 20 milhões nos EUA, gerando um volume geral na Nasdaq cuja a perda não seria preocupante. “Essas pequenas empresas podem se listar na nova bolsa de Pequim no futuro”, disse. Ritter pensa em termos de mercado, deixando de lado a possibilidade de ali surgiu uma nova gigante, como Facebook, Twitter, Amazon ou Microsoft.

Junto com a bolsa das pequenas e médias, a China também estuda a criação de um mercado de ações só para quem atua com serviços e inovação, abrindo uma segunda frente ao Nasdaq. Esse destemor que falta por aqui impede o brasileiro de inovar e o mantêm estagnado nos mesmos setores econômicos. “Poucos países no mundo tratam tão mal a pequena empresa. Hoje em dia continua dificílimo para o pequeno empresário conseguir empréstimo. Países que apoiam os que não possuem recursos iniciais, mas têm ideias brilhantes, desenvolvem muita tecnologia”, diz Feldmann.

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