A operação deflagrada nesta semana pela Polícia Federal para apurar a realização e o financiamento de atos antidemocráticos poderia ter sido adiada. Segundo o jornal O Globo, a delegada da PF Denisse Dias Rosas Ribeiro pediu ao ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no STF, a postergação ou até o cancelamento da ação que teve como alvos aliados do presidente Jair Bolsonaro, entre eles alguns parlamentares. Denisse alegou “risco desnecessário” à estabilidade das instituições. “A realização conjunta das diversas medidas propostas em etapa tão inicial da investigação tem o potencial de gerar um grande volume de dados relativos a várias pessoas que estão teoricamente vinculadas a diversos fatos, dispersando a energia do Estado para múltiplos caminhos e com risco de aumento do escopo em progressão geométrica, o que inevitavelmente tonará a investigação mais complexa, ainda que, de fato, ela não seja. Com isso, ela se tornará menos objetiva, menos transparente, mais onerosa e — o principal quando se trata do tipo de associação criminosa aqui tratada — muito mais lenta, com risco desnecessário para as vítimas em potencial e para a própria estabilidade das instituições”, manifestou a delegada. A sugestão foi rejeitada.
