Fundadores da startup já haviam vendido a Zup ao banco em 2019. Agora, operação de R$ 2,925 bilhões abre novo capítulo para a equipe, que seguirá à frente do desenvolvimento de modelos próprios de inteligência artificial
A Tacada da Semana de MONEY REPORT destaca a venda da NeoSpace ao Itaú Unibanco por R$ 2,925 bilhões, marcando um novo capítulo na trajetória de um grupo de empreendedores brasileiros que conseguiu repetir uma história de sucesso com o mesmo comprador. Fundada em 2023, a startup especializada em inteligência artificial fundacional foi adquirida integralmente pelo banco, em uma operação que consolida o valor de uma tecnologia desenvolvida no país e coloca seus fundadores novamente no centro de uma grande transação do mercado de tecnologia.
Não é a primeira vez que o grupo negocia uma empresa com o Itaú. Os empreendedores também estão por trás da Zup Innovation, companhia de tecnologia criada em Minas Gerais e adquirida pelo banco em uma operação anunciada em 2019, por mais de R$ 500 milhões. Depois de construir a empresa e acompanhar sua expansão, que chegou a aproximadamente 3,5 mil funcionários, os fundadores voltaram ao mercado com um projeto de outra natureza: desenvolver modelos próprios de inteligência artificial, capazes de analisar grandes volumes de informações e identificar relações que ferramentas convencionais podem não perceber.
A NeoSpace desenvolveu uma tecnologia baseada nos chamados Data Foundational Models, modelos fundacionais de dados que cruzam informações estruturadas, como transações e tabelas, com dados não estruturados, como documentos e registros. No setor financeiro, a aplicação pode contribuir para análises de crédito, prevenção a fraudes e compreensão do comportamento dos clientes. A companhia já havia atraído o Itaú como investidor: no início de 2025, o banco aportou US$ 15 milhões em uma rodada de US$ 18 milhões, passando a deter 15% da startup.
A relação construída ao longo de quase dois anos foi determinante para a aquisição. Antes de fechar o negócio, a NeoSpace negociava uma nova rodada de investimentos, com intenção de captar até US$ 250 milhões e alcançar avaliação de US$ 1,25 bilhão. Para o Itaú, a compra representa a oportunidade de aprofundar o acesso a uma tecnologia estratégica e acelerar o desenvolvimento de soluções proprietárias, reduzindo a dependência de modelos genéricos oferecidos por grandes empresas globais de tecnologia.
A venda, porém, não significa o encerramento da jornada empreendedora. Bruno Pierobon permanecerá como CEO da NeoSpace, que manterá equipe, gestão e operação próprias, com continuidade das atividades de pesquisa e desenvolvimento. A diferença estará na escala e na integração com o banco. “Agora, o foco vai ser alavancar o Itaú. Nossa cabeça está muito mais no sistema financeiro e, principalmente, em potencializar o banco”, afirmou. O executivo também destacou a oportunidade de desenvolver tecnologia de ponta a partir da combinação entre a capacidade técnica da startup e a estrutura de dados da instituição financeira.
Do lado do Itaú, a aquisição reforça uma estratégia de longo prazo para transformar a experiência bancária por meio da IA. A tecnologia da NeoSpace deverá contribuir para a evolução da plataforma ia.i e para o desenvolvimento de interações mais personalizadas com clientes, além de aplicações em crédito e gestão financeira. Para os empreendedores, o desafio agora é levar a tecnologia construída no Brasil a uma nova dimensão, aproveitando a escala de um dos maiores bancos da América Latina. A operação ainda depende das aprovações do Cade e do Banco Central (BC).
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