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A hora de tocar a bola para frente

Aluizio Falcão Filho
1 de novembro de 2026

Hoje, completa-se uma semana das eleições presidenciais, cujo resultado deixou vários empresários atônitos, frustrados ou coléricos. Muitos outros, porém, resolveram assimilar o resultado e botar a bola em campo, e continuar em frente. No dia seguinte ao que soubemos que o PT ficaria mais quatro anos no poder, recebi a seguinte mensagem de um bilionário: “Para reflexão do dia: 1. O resultado de ontem é pior para você ou para o Brasil? 2. ⁠Onde a pessoa do Bolsa Família estará daqui a 4 anos? E você? 3. ⁠Você seguirá fazendo o que sempre lhe trouxe resultado? Então, bora fazer. O País seguirá seu destino. Ajuste as velas e continue a fazer”.

Os mais velhos vão se recordar do estupor que todos sentimos (esquerda e direita) no dia em que o Plano Collor foi divulgado: todo o dinheiro do país, na conta corrente ou ancorado em investimentos, foi confiscado. E os cidadãos ficaram com, no máximo, cinquenta mil cruzeiros. Houve uma reação semelhante à da semana passada, mas não se restringiu apenas aos empresários.

É da natureza humana experimentar o estupor diante de algo inesperado ou expressar revolta diante de uma situação não desejada. Mas também é próprio dos seres humanos levantar, sacudir a poeira e dar a volta por cima. A vitória do petismo vai trazer dificuldades para a atividade empresarial, é certo. Mas é o cenário que os empreendedores precisam enfrentar e lutar para superar esses desafios.

Muitos podem escolher o caminho da depressão ou das queixas. Mas esse comportamento nada vai resolver os problemas atuais ou futuro. Todos nós precisam cuidar de nossas empresas ou de nossas carreiras, sob pena de ficarmos para trás – e ainda mais depressivos e/ou queixosos.

Nas próximas semanas, os ânimos devem continuar oscilando ao sabor dos sinais de Brasília. A escolha do ministro da Fazenda, a composição da equipe econômica e as primeiras declarações sobre o arcabouço fiscal vão pesar mais no humor empresarial do que qualquer discurso de vitória. Em 2002, a eleição de Lula também provocou pânico no mercado, com o dólar disparando e o risco-país nas alturas.

É provável que os empresários adotem uma postura defensiva nos primeiros meses de 2027, com investimentos adiados, contratações mais cautelosas e foco no caixa e na redução do endividamento. A transição da reforma tributária, que ganha corpo no ano que vem, vai exigir atenção redobrada, especialmente das empresas de serviços. Passada a fase de cautela, porém, a necessidade de crescer falará mais alto. Empresas não podem ficar paradas por quatro anos esperando a próxima eleição e os concorrentes que se moverem primeiro sairão na frente. Setores como o agronegócio, a exportação e a tecnologia, menos dependentes do humor de Brasília, devem puxar essa retomada.

No fim das contas, a mensagem que recebi do bilionário resume o espírito necessário para os próximos anos. O destino do país passa pelo Palácio do Planalto e também por milhões de empreendedores que acordam cedo, pagam salários, inovam e assumem riscos todos os dias. Quem atravessou o Plano Collor, a hiperinflação e tantas outras crises sabe que o empresário brasileiro desenvolveu uma capacidade rara de se adaptar ao inesperado. O vento mudou de direção e ninguém controla essa força da natureza. Resta ajustar as velas, como sugeriu o bilionário, e seguir navegando. Em 2030, haverá uma nova eleição. Mas, até lá, há empresas para tocar. E negócios por fazer.

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