Decisão inédita em duas décadas reflete espera por conclusão da revisão sobre vínculos da instituição com Jeffrey Epstein
Warren Buffett decidiu adiar pela primeira vez em vinte anos sua tradicional doação anual à Fundação Gates. Segundo o Wall Street Journal, o bilionário aguarda a conclusão da revisão interna sobre os vínculos da instituição com Jeffrey Epstein, condenado por crimes sexuais e falecido em 2019. O relatório deve ser divulgado ainda neste verão nos Estados Unidos.
Buffett, de 95 anos e presidente da Berkshire Hathaway, costuma doar ações da empresa todos os anos, sempre no meio do ano. Desde 2006, já destinou mais de US$ 43 bilhões à fundação criada por Bill Gates e Melinda French Gates, como parte de um compromisso vitalício. A decisão de suspender temporariamente o repasse reflete a preocupação com a repercussão das conexões de Gates com Epstein, reveladas em documentos oficiais e investigações recentes.
O investidor e pessoas próximas têm mantido contato com a liderança da fundação, incluindo o CEO Mark Suzman, para acompanhar o andamento da apuração. Buffett deve se pronunciar novamente em sua tradicional carta de Ação de Graças, quando poderá decidir sobre a retomada das doações.
Conforme a CNBC, Bill Gates, em depoimento ao Congresso em junho, classificou como “grave erro de julgamento” suas reuniões com Epstein, mas negou envolvimento em qualquer atividade ilegal. Ele afirmou ter descoberto apenas em 2018 que Epstein era um criminoso sexual registrado, após reportagens investigativas sobre o caso.
A suspensão da doação de Buffett adiciona pressão sobre a Fundação Gates, que já enfrenta questionamentos públicos e institucionais sobre sua relação com Epstein.
