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Os rumos da economia brasileira entre choques e estímulos

Lucas Andrade
29 de junho de 2026
Bradesco atualiza projeções para PIB, IPCA, Selic e dólar

A economia brasileira segue navegando em um cenário de contrastes, marcado por estímulos internos e choques externos. De acordo com relatório do Bradesco, o PIB deve crescer 2,0% em 2026, após avanço de 1,1% no primeiro trimestre, puxado pelo consumo das famílias e medidas de crédito. Apesar disso, os juros elevados continuam limitando a expansão para abaixo do potencial. Para 2027, a projeção foi revisada para 1,5%, refletindo a dissipação dos estímulos e maior comprometimento da renda das famílias.

O mercado de trabalho deve mostrar acomodação, com a taxa de desemprego subindo de 5,9% em 2026 para 6,8% em 2027. Ainda em patamar historicamente baixo, esse movimento tende a ampliar o hiato do produto nos próximos trimestres. No câmbio, o real se mantém resiliente, com projeção de R$/US$ 5,00 ao final de 2026 e revisão para R$/US$ 5,20 em 2027, em meio a um ambiente global mais ambíguo para emergentes. O déficit em transações correntes deve convergir para 2% do PIB, sustentado pelo superávit comercial e fluxo robusto de investimento estrangeiro direto.

A inflação segue pressionada pelos choques da guerra, dos alimentos e pela resiliência dos serviços. O IPCA foi revisado para 5,3% em 2026 e 4,1% em 2027. O alívio esperado na cadeia industrial e a queda nos preços do petróleo devem ajudar a conter parte das pressões. Já a política monetária caminha em ritmo cauteloso: o Banco Central reduziu a Selic para 14,25% em junho, mas sinalizou que o ciclo pode incluir pausas. A expectativa é de 13,75% ao final de 2026 e 11,00% em 2027, ainda acima do juro neutro estimado.

No campo fiscal, o relatório aponta para cumprimento das regras do arcabouço em 2026, com despesas primárias dentro dos limites e meta de resultado primário alcançada. Para 2027, a expectativa é de avanço em direção a um ajuste estrutural das contas públicas, condição necessária para frear a trajetória da dívida. O Bradesco alerta, porém, que a ausência de sinais claros de consolidação fiscal pode alterar substancialmente o cenário, sobretudo se o ambiente externo se mostrar menos favorável aos países emergentes.

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