Em relatório aos clientes de private bank, Bradesco mostra queda da moeda brasileira contra o dólar, enquanto pares emergentes vêm levando vantagem
Depois de o investidor estrangeiro ingressar em bolsa brasileira no primeiro trimestre, movimento que vem perdendo fôlego desde março, o Bradesco Private reforçou o mantra do excepcionalismo americano nos investimentos. Por um aumento de ruídos locais, sendo o último deles a última decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) que cortou a Selic em 0,25 ponto, o real vem desempenhando abaixo da média de uma cesta de moedas emergentes contra a divisa americana.
Até o início de maio, o sentido era contrário: o real se destacava ante outras moedas emergentes pela valorização contra o dólar. O surgimento de riscos locais, segundo a equipe de especialistas liderada por Carlos Machado, estrategista-chefe do Bradesco Private Bank e quem assina o relatório, levou a taxa de câmbio de curto prazo a recuar. Machado atribui a perda de ímpeto da divisa brasileira a duas incertezas que afetam os pregões: a incerteza fiscal nas contas públicas à frente e a possibilidade de outras reduções de juros.
“Além disso, esse movimento, observado também em outras economias emergentes, é intensificado pela retomada do fluxo para os Estados Unidos”, aponta Machado. A volta do capital aos EUA decorre da busca por proteção entre investidores após a intensificação do conflito entre EUA e Irã, marcado pelo fechamento do Estreito de Ormuz.
Mas o Bradesco Private reforça o lado positivo para o investidor. A depreciação mais recente do câmbio levou o real a negociar próximo da cotação mínima dos últimos dois anos, “o que mantém a janela favorável para aumentar a exposição internacional” da carteira de investidores, segundo o estrategista-chefe.
“Ainda que o dólar possa depreciar (retomada da rotação global e aumento do diferencial de juros), vemos um ambiente menos promissor para uma valorização relevante do real no curto e no médio prazo.”
Nos EUA, a perspectiva de taxas de juros mais restritivas, forte desempenho de empresas de tecnologia na última temporada de resultados, tendência de aberturas de capital (IPO) bilionárias das companhias por trás de agentes de IA, como OpenAI e Anthropic, abre caminho para valorização tanto das bolsas americanas, por um lado, quanto das Treasuries do outro.
“Nesse contexto, a exposição ao dólar vai além da diversificação e se consolida como estratégia de proteção patrimonial. Assim, uma alocação equilibrada entre Brasil e exterior (offshore) torna-se essencial para buscar retornos consistentes acima do CDI, com melhor relação risco-retorno”, conclui Machado.
