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Exame: Companhias aéreas estão criando cervejas e vinhos para altas altitudes

Da redação
28 de junho de 2026
Pressão baixa, ar seco e paladares entorpecidos: o desafio de fazer uma bebida saborosa dentro de um avião levou companhias a reformular receitas do zero

A Cayman Airways levou executivos a bordo de um avião para provar cerveja como parte do processo de desenvolvimento da Sir Turtle’s Sky Brew, uma IPA criada especificamente para ser consumida a 30 mil pés de altitude. A cerveja entrou em voo em 22 de maio de 2025, depois de meses de sessões de teste no chão e durante os trajetos, em parceria com a Caybrew, cervejaria local das Ilhas Cayman.

O produto final tem 5% de teor alcoólico, acabamento suave e notas cítricas calibradas para o ambiente pressurizado de uma cabine.

O princípio técnico por trás disso não é novo, levando em conta que o ar seco e a pressão reduzida em altitude afetam o olfato e o paladar e atenuam percepções de sabor e aroma. A mudança agora está na disposição das companhias de encarar esse problema como um projeto de produto, não apenas como uma limitação operacional.

Uma IPA nas nuvens

Paul Tibbetts, CFO da Cayman Airways, resumiu a lógica da iniciativa em entrevista à imprensa americana: “Somos uma extensão das Ilhas Cayman. Se vamos colocar nosso nome em uma cerveja, ela precisa ser exatamente a certa.”

A Sky Brew se junta ao rum punch Seven Fathoms já servido a bordo, outra parceria com produtor local, e está disponível de graça para passageiros acima de 18 anos em voos internacionais com mais de 90 minutos, por prazo limitado. Unidades adicionais custam US$ 6,00 (cerca de R$ 34,00).

A Air New Zealand seguiu caminho parecido com bebidas, mas no segmento de vinhos. Em março de 2025, a companhia lançou o rótulo Thirteen Forty Five, nome em homenagem à primeira rota internacional da empresa, um voo Auckland-Sydney em 1940 que cobriu 1.345 milhas.

A linha estreou com dois varietais desenvolvidos com a Villa Maria: um sauvignon blanc com notas de maracujá, capim-limão e ervas e um pinot noir com perfil de cereja, ameixa e violeta, ambos formulados para manter suas características organolépticas durante o voo.

Alisha Armstrong, gerente-geral de experiência do cliente da companhia, disse que a equipe visitou vinícolas em Marlborough para entender as diferenças entre sub-regiões antes de participar ativamente do processo de blending. Os rótulos estão disponíveis na cabine premium economy em voos internacionais e nos lounges da companhia na Nova Zelândia.

Antes delas, a Alaska

A Alaska Airlines foi uma das pioneiras nesse movimento. Em fevereiro de 2024, a companhia lançou a Cloud Cruiser, uma IPA de 6,5% ABV desenvolvida com a Fremont Brewing, cervejaria de Seattle. O processo envolveu testes de múltiplos blends a 30 mil pés até chegar no perfil final, com notas de laranja, melão e frutas tropicais. A cerveja é servida de graça nas classes executiva e premium e custa US$ 8,50 (cerca de R$ 48,00) na classe econômica.

Para a Cayman Airways, o projeto teve uma camada a mais: além de funcionar em altitude, a cerveja precisava representar as ilhas. Mark Haring, gerente de marca da Caybrew, descreveu o resultado como “uma prova de casa antes de você pousar”. A bebida está disponível apenas durante o serviço de bordo em altitude de cruzeiro, o que a torna, por definição, impossível de provar em terra.


Por Gustavo Frank

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