Há algumas versões que explicam sua origem. Porém, a mais aceita é a de que os pastéis brasileiros são uma adaptação nacional da receita do rolinho primavera chinês. Só que não foram os imigrantes chineses que inventaram o pastel e sim os japoneses. Ôpa. Como assim?
Na época da Segunda Guerra Mundial, havia um grande preconceito contra os oriundos do Japão em função do Eixo criado entre Tóquio, Berlim e Roma. Por isso, alguns imigrantes nipônicos fingiram que eram chineses e passaram a vender a massa recheada e frita que conhecemos e amamos hoje. Foi um sucesso de vendas. E a explicação dos ambulantes era a de que estavam adaptando ao Brasil uma receita tradicional na China.
Existem literalmente dezenas de recheios disponíveis na praça, mas os tradicionais são de queijo, carne e palmito. Ultimamente, no entanto, começaram a ganhar espaço os pastéis de camarão (às vezes, com molho de bobó ou de vatapá).
Há muito tempo, os quitutes mais celebrados de São Paulo estão nas feiras (a da Maria, por exemplo, em frente ao Estádio do Pacaembu é um clássico) ou em pastelarias especializadas (Trevo de Bertioga ou Yoka são dois endereços nos quais as frituras são muito boas).
Nos bares, há vários exemplos de pastéis sequinhos, crocantes e com recheio delicioso. Vamos ficar em alguns: Braca, Astor ou Pirajá. Mas vou recomendar um estabelecimento que não é óbvio e só funciona à noite (de quinta a sábado, podendo abrir na terça ou na quarta). Trata-se de um bar de música ao vivo, pequeno, mas muito charmoso. Estamos falando do “Fino da Bossa”, que tem pastéis de calabresa espetaculares, daqueles que você não esquecerá (o toque genial fica por parte do tapenade de tomates).
No mundo dos restaurantes, há boas opções, como a porção do La Tambouille, que vem com queijo, camarão, carne e palmito. Os três primeiros, excelentes; o último, apenas protocolar. A boa notícia é que o pedido pode ser feito ao gosto do freguês.
Falando em palmito, o Manioca tinha um ótimo, com tempero de gengibre. Fiz, no entanto, uma pesquisa recente e parece que essa porçãozinha saiu do cardápio, substituída por uma versão de bobó de camarão. A conferir. Neste campo, o Dalva e Dito também tem uma boa alternativa: a de vatapá.
Encerramos com uma grata surpresa, que está na foto que ilustra esse artigo: os pastéis do Ter Bicchieri. Trata-se de um restaurante italiano, como o nome evidentemente sugere, e funciona da rua General Menna Barreto há mais de quine anos, ao lado da churrascaria Varanda. Embora o menu do chef Rodrigo Queiroz seja eminentemente toscano, a porção de pastéis deve ser a melhor de São Paulo. São oito pasteizinhos, dois de cada tipo, bem crocantes. O de carne é úmido e respeita as receitas tradicionais, com um pouco de ovo cozido; o de queijo leva micro pedacinhos de tomate; o de camarão é delicioso e pede a companhia da pimenta que é servida ao lado do prato; por fim, temos o de palmito, cremoso e divinamente temperado (olhe que não sou um grande fã dessa modalidade de pastéis).
Cada um de nós tem sua lista de favoritos. Essa é a minha. Mas aceito sugestões para ampliá-la.
