Alan Greenspan, ex-presidente do Federal Reserve, morreu aos 100 anos. Obituário publicado pela Bloomberg destaca que, à frente do banco central americano entre 1987 e 2006, ele foi celebrado como o “maestro” da economia dos EUA, conduzindo um período de crescimento prolongado e estabilidade sem precedentes. Seu prestígio, no entanto, foi abalado pela crise financeira de 2008, que explodiu menos de dois anos após sua saída.
Durante seu mandato, Greenspan liderou a economia por crises como o crash da bolsa em 1987, a turbulência asiática de 1997 e o colapso do fundo Long-Term Capital Management em 1998. Ao mesmo tempo, permitiu que os avanços tecnológicos impulsionassem uma nova era de produtividade nos anos 1990, sustentando a expansão sem reacender a inflação. Essa leitura lhe rendeu reconhecimento global e consolidou sua autoridade quase incontestável dentro do Fed.
O período de bonança, conforme a Bloomberg, foi marcado por crescimento médio anual de 3,5%, queda histórica do desemprego e valorização recorde do mercado acionário. Porém, a permissividade em relação à desregulamentação e às bolhas financeiras, especialmente a imobiliária, tornou-se alvo de críticas. Greenspan foi acusado de ter incentivado risco moral ao sustentar os mercados em momentos de queda e de não ter agido para conter os excessos que culminaram na crise de 2008.
Em depoimentos posteriores, admitiu falhas em sua confiança no livre mercado e reconheceu que os bancos assumiram riscos excessivos. Ainda assim, defendeu que não cabia ao Fed estourar bolhas por meio de juros mais altos, pois isso sacrificaria a prosperidade. Seu legado permanece ambivalente: lembrado como um dos grandes banqueiros centrais do século XX, e também como uma figura controversa, associada ao colapso que redefiniu o sistema financeiro global.
