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O maior desafio do próximo presidente da Colômbia

Lucas Andrade
21 de junho de 2026

O segundo turno presidencial na Colômbia não representa apenas a escolha entre dois projetos ideológicos distintos, mas sobretudo a definição de como o país enfrentará seu maior desafio: construir governabilidade e credibilidade econômica em um cenário de pressões fiscais e sociais.

Relatório do BTG Pactual destaca que Abelardo De la Espriella aparece como o candidato com viés mais favorável aos mercados, ao propor a reativação do setor energético, redução da carga tributária e estímulo ao investimento privado. Esse caminho poderia gerar apreciação do peso colombiano, queda do prêmio de risco e melhora no financiamento soberano, desde que acompanhado por uma equipe econômica ortodoxa e um plano fiscal verificável. O risco, porém, está na execução: cortes administrativos ambiciosos e a necessidade de formar uma coalizão em um Congresso fragmentado podem limitar a capacidade de implementação.

Já Ivan Cepeda defende a continuidade do atual projeto político, com expansão do gasto social, maior tributação progressiva e prioridade para a transição energética. Esse modelo tende a sustentar o consumo das famílias, mas traz custos macroeconômicos relevantes, como maior pressão inflacionária, risco de depreciação cambial e manutenção de déficits primários elevados. Para evitar impacto negativo em ratings e no risco-país, seria necessário apresentar fontes permanentes de financiamento e regras claras de disciplina fiscal.

O BTG Pactual avalia que, independentemente de quem vença, o mercado reagirá menos às promessas de campanha e mais às primeiras decisões de governo. A chave estará em como o próximo presidente conseguirá formar alianças políticas, preservar a independência do banco central e transformar propostas em leis que enfrentem a rigidez dos gastos públicos. Sem uma agenda crível de consolidação fiscal, o risco-Colômbia permanecerá atrelado ao déficit, à pressão sobre o rating soberano e ao prêmio de risco.

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