O Copom reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, levando os juros para 14,25% ao ano. Tanto o Itaú quanto a XP destacam que o corte já era amplamente esperado pelo mercado, porém o comunicado pós-reunião trouxe sinais mistos sobre os próximos passos da política monetária.
Segundo o Itaú, o comitê manteve a estratégia de “calibração” e deixou em aberto a possibilidade de continuidade ou interrupção do ciclo. A instituição projeta mais um corte modesto em agosto, que levaria a Selic para 14,0% ao ano. O banco ressalta que a ata da reunião, prevista para a próxima semana, deve trazer mais clareza sobre o cenário, contudo aponta que o Copom reconheceu riscos de alta para a inflação, especialmente diante de estímulos adicionais à demanda.
Já a XP avaliou que o comunicado teve tom mais duro, ao reconhecer aceleração da atividade econômica e da inflação, com projeções se afastando da meta de 3%. Para justificar o corte, o Copom precisou estender o horizonte relevante de política monetária em um trimestre, sinalizando que o espaço para novas reduções é limitado. A XP considera que o cenário-base ainda prevê um ajuste final em agosto, entretanto também vê como provável a manutenção da Selic em 14,25% caso a pressão inflacionária persista.
Barra mais alta para novo corte da Selic
O BTG Pactual apontou que o Copom elevou a exigência para novos cortes de juros ao retirar a sinalização clara de continuidade do ciclo de calibragem. Em abril, o comitê ainda indicava que a sequência era o cenário mais provável, mas agora preserva apenas a opcionalidade, sem deixar evidente que reduções adicionais sejam sua preferência. O banco destaca que a projeção de inflação para o horizonte relevante subiu para 3,7%, em linha com suas estimativas, reforçando o diagnóstico mais duro sobre atividade e preços.
Apesar disso, o comunicado não foi totalmente hawkish, já que o Copom manteve a ênfase na incerteza e reconheceu efeitos acumulados da política monetária contracionista. O ponto mais dovish foi a menção à possibilidade de inflação abaixo da meta em horizonte posterior, o que pode manter aberta a porta para ajustes adicionais. Para o BTG, o cenário-base é de fim do ciclo em 14,25%, mas a comunicação deixa espaço, ainda que restrito, para cortes futuros caso haja melhora relevante nas expectativas e nas projeções de inflação.
