Pré-candidato defendeu corte de gastos, endurecimento na segurança pública, diplomacia pragmática e se coloca como solução ao “caminho das trevas”
No encerramento da CEO Conference 2026, organizada pelo BTG Pactual, o senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apresentou nesta quarta-feira (11) as diretrizes de eventual plano de governo. Em sabatina por teleconferência conduzida pela jornalista Amanda Klein, o parlamentar buscou equilibrar o tom de fidelidade ao legado do pai, Jair Bolsonaro, com uma postura de diálogo institucional, prometendo o que chamou de “tesouraço” fiscal e uma política de segurança pública “radical”.
Agenda de cortes
O ponto central das afirmações de Flávio à plateia de investidores foi a economia. Ele criticou a atual gestão do Ministério da Fazenda e propôs uma reforma baseada em três pilares: redução da carga tributária, desburocratização e corte de gastos públicos.
“Nossa proposta é um tesouraço. O Brasil precisa de previsibilidade. O atual arcabouço fiscal é baseado em mentiras que visam apenas aumentar a arrecadação para sustentar gastos populistas”, afirmou.
Flávio defendeu a privatização de estatais, embora tenha feito ressalvas sobre áreas estratégicas, como o segmento de terras raras. Ele também citou o exemplo da criação de tilápias em Itaipu para ilustrar como o “excesso de burocracia e ideologia” trava o desenvolvimento nacional frente a vizinhos como o Paraguai.
Inspirado em Bukele
Ao abordar a segurança pública, o senador subiu o tom. Citando sua recente visita a El Salvador, o senador prometeu adotar medidas de tolerância zero, focando na recuperação de territórios dominados pelo crime organizado, começando pelo controle rigoroso dos presídios.
- Combate ao crime: Inversão da lógica penal para priorizar as vítimas e endurecer penas para organizações “narcomilicianas”.
- Educação básica: Propôs investimento “maciço e de qualidade” para evitar que jovens sejam recrutados pelo crime, criando uma “rampa de saída” social.
Xadrez eleitoral
Questionado sobre a escolha de seu nome em detrimento ao do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), classificou a decisão como “acertada” e baseada em pesquisas que mostram seu crescimento “consistente e irreversível”. Ele negou atritos com o governador de São Paulo, a quem chamou de “genial” e de disse esperar apoio integral.
Sobre o cenário eleitoral, o senador descreveu a disputa como um embate entre o “caminho da prosperidade” e o “caminho das trevas”. Ele afirmou que sua eleição significaria o fim da polarização, sob o argumento de que o PT não possuiria lideranças capazes de substituir o atual presidente Lula.
Opala velhão
Flávio não poupou críticas ao presidente Lula e à atual gestão, utilizando metáforas para descrever o cenário político. Segundo o senador, o país enfrenta um dilema entre o passado e o futuro. Ele comparou Lula a um “Opala velhão”, afirmando que o petista representa um modelo “atrasado e ultrapassado” que não acompanha a modernidade.
Também ironizou o ministro Fernando Haddad, chamando-o de “o melhor ministro da Fazenda do Paraguai”, sob o argumento de que a alta carga tributária brasileira estaria expulsando indústrias para o país vizinho.
Relações Internacionais e pragmática
Diferente da retórica de confrontação, Flávio prometeu uma diplomacia pragmática. Embora tenha evitado esperar apoio direto de Donald Trump, ressaltou que pretende dialogar com todas as potências (EUA, China, Israel e mundo árabe). Ele destacou o Brasil como o “celeiro do mundo”, mencionando o potencial de investimentos árabes em infraestrutura caso a segurança jurídica seja restaurada.
Promessas ainda enfrentam dúvidas
Ao final, a participação de Flávio Bolsonaro reforçou a antecipação do debate eleitoral entre o mercado financeiro, com uma agenda liberal na economia, discurso duro na segurança pública e tentativa de reposicionamento político para além do bolsonarismo tradicional. Ainda que o tom tenha buscado sinalizar pragmatismo institucional e previsibilidade econômica, parte das propostas segue cercada de dúvidas sobre viabilidade fiscal, execução política e capacidade real de reduzir a polarização que hoje marca o ambiente político brasileiro.
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