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Indenizar os clientes do Master é o menos importante – infelizmente

André Vargas
16 de janeiro de 2026

Você pode não simpatizar com Daniel Vorcaro. Você pode desprezá-lo, já que não parece haver dúvidas de que sua forma de condução dos negócios está distante do que seria vagamente confiável. Afinal, o caso do Banco Master é a maior falência a ser acudida pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC), na ordem de R$ 41 bilhões a serem divididos entre 1,6 milhão de credores (até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ). E a instituição sequer está entre as maiores do país. Em março de 2025, sua melhor posição era como a 11ª maior carteira de depósitos a prazo – justo o que causou sua derrocada. Um anão que ameaça o sistema com ajuda de amigos, aliados, simpatizantes e recursos legais.

Todavia, por força das circunstâncias a esfera pública deixa os verdadeiros prejudicados de lado para se preocupar com movimentações de bastidor e na contenção de microcrises reputacionais instantâneas que atingem integrantes do Judiciário, Procuradoria-Geral da República (PGR), Polícia Federal (PF), Banco Central (BC) e Tribunal de Contas da União (TCU). Tudo graças aos tentáculos que Vorcaro criou junto ao poder público, com sua rede de influência anabolizada por políticos do Centrão, bancas de advogados, comentaristas político-econômicos, influenciadores de todos os naipes e relações perigosamente próximas – verdadeiras ou não – com ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) – no caso, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli.

Parece haver medos e urgências na forma de lidar com o caso, em um jogo de estica e puxa ao sabor de procedimentos jurídicos atropelados. Provas são jogadas sob sigilo e depois liberadas; material deve ficar sob guarda só para ser deixado à análise dos investigadores no dia seguinte; denúncias aparecem e somem desprovidas de fundamentação; conexões suspeitas ganham e perdem força; um órgão de controle externo do governo aparece com decisões liminares dadas por políticos transformados em ministros; e um ministro do STF tenta opinar no trabalho da PF.

Tudo acionado com velocidade suficiente para obnubilar o avanço das investigações que pretendem descobrir as ramificações de uma fraude que atinge políticos e desmonta outras empresas suspeitas, como a Reag, liquidada nesta quinta (15) pelo BC. Como resultado, surge um comportamento típico brasileiro, a tergiversação.

Parece impossível que as atenções sejam mantidas no que interessa: minimizar os danos e estabelecer como e em quais circunstâncias empresas ligadas direta ou indiretamente ao comando do Master serviram para lesar terceiros. Em paralelo, é preciso estabelecer que relações escusas foram criadas com autoridades públicas. E, doa a quem doer, quem eventualmente no STF, TCU e onde for, tentou atuar para embaralhar as investigações. Por trás de tudo isso, além de Vorcaro surgem outros nomes conhecidos. A dúvida que fica é se o agora ex-banqueiro conseguirá se manter empanando reputações e atiçando brigas a partir da prisão domiciliar, enquanto o rombo deixado assume o lugar dos ganhos impossíveis que prometia.

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