Pesquisa da CNT constatou melhora no estado geral da malha viária brasileira, ao avaliar 114.197 quilômetros de trechos pavimentadas
Levantamento divulgado nesta quarta-feira (17) pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) mostra um aumento na proporção de trechos classificados como ótimos ou bons e redução nos trechos ruins ou péssimos. De acordo com a análise, 37,9% da extensão pesquisada (43.301 km) está em condições ótimas ou boas, ante 33% de 2024 (36.814 km), representando um avanço de quase 5 pontos percentuais. Os trechos avaliados como ruins ou péssimos caíram de 26,6% (29.776 km) para 19,1% (21.804 km), uma redução de 7,5 pontos percentuais. A categoria regular manteve proporção semelhante, com 43% (49.092 km) neste ano, frente a 40,4% (45.263 km) em 2024.
A classificação do estado geral das rodovias brasileiras considera as três principais características da malha rodoviária: pavimento, sinalização e geometria da via. São avaliadas variáveis como condições do pavimento, das placas, do acostamento, de curvas e de pontes.

“Esta edição comprova que investimentos em infraestrutura geram resultados concretos. Reconhecemos os avanços recentes e os esforços do poder público para ampliar e qualificar a malha rodoviária brasileira. Já é possível perceber uma retomada no ritmo necessário de investimentos, mas é fundamental mantê-lo e ampliar ainda mais os recursos destinados ao setor”, afirma o presidente do Sistema Transporte da CNT, Vander Costa.
Aumento de concessões e recursos direcionados
Ao detalhar os percentuais por tipo de gestão, a pesquisa revela redução significativa dos trechos ruins em rodovias concedidas e públicas. Entre as rodovias concedidas, apenas 618 km receberam essa classificação em 2025, ante 1.609 km em 2024, uma queda de 61,6%. Nas rodovias públicas, a redução foi de 23,3%, passando de 21.630 km para 16.594 km.
O avanço registrado no estado geral em 2025 se reflete em mais segurança e conforto aos transportadores e usuários das vias. Entre os fatores, estão a expansão das concessões e o melhor direcionamento de recursos na malha pública. “As concessões realizadas em 2025 foram decisivas para melhorar a qualidade das rodovias brasileiras. Elas trouxeram investimentos em manutenção e modernização, aumentando a segurança e o conforto dos usuários. Esse modelo complementa os esforços do poder público e garante vias melhores para o desenvolvimento do país”, afirma Costa.
De acordo com a CNT, a continuidade desse movimento depende de investimentos regulares e planejamento de longo prazo. Soluções tecnológicas e construtivas, como pavimentos mais duráveis e resilientes e o uso do Building Information Modeling (BIM), podem elevar a eficiência logística e consolidar uma malha rodoviária moderna e sustentável.
Nas rodovias sob gestão pública, 64,4% apresentam algum problema no pavimento, levando, em média, a um aumento de custos operacionais de até 35,8%. Nas rodovias concedidas, 34,4% apresentam algum tipo de irregularidade no pavimento, o que resulta em um aumento médio nos custos operacionais para os transportadores de até 18,4% em relação ao pavimento ótimo
A má qualidade do pavimento gera desperdício anual estimado em R$ 7,2 bilhões somente com o consumo adicional de diesel, que é da ordem de 1,2 bilhão de litros. O valor é suficiente para financiar soluções de baixo carbono, como aquisição de caminhões elétricos, produção de combustíveis renováveis e ações de reflorestamento.
Na segurança viária, o efeito da infraestrutura deficiente é ainda mais grave. Entre janeiro de 2016 e julho de 2025, foram registrados 697.435 acidentes nas rodovias federais monitoradas pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), com custo econômico acumulado estimado de R$ 149,67 bilhões. Esse valor inclui atendimentos de emergência, perdas de cargas, danos aos veículos e impactos sociais. Os resultados reforçam a importância de manter o ciclo de investimentos e assegurar um padrão mais elevado de conservação, reduzindo custos, emissões e riscos para empresas transportadoras e os demais usuários das vias.
Menos riscos na pista
A Pesquisa CNT de Rodovias registrou queda no volume de pontos críticos, que passaram de 2.446 em 2024 para 2.144 em 2025, indicando melhora na segurança viária. A maioria das ocorrências ainda está relacionada a buracos grandes, mas houve redução também em erosões, quedas de barreira e outros problemas graves. A tendência reforça que os investimentos recentes começam a gerar resultados positivos na conservação das rodovias.
