Boletim de MR sobre medicina, pesquisa, inovação, saúde mental, negócios e políticas públicas
Alerta: metade dos ataques cardíacos atinge pessoas com baixo risco
Um novo estudo liderado por pesquisadores do hospital Mount Sinai, de Nova York, relata que os métodos de triagem cardíaca falham em identificar quase metade das pessoas que realmente correm risco de sofrer um ataque cardíaco.
De acordo com os autores, os resultados apontam para uma fragilidade significativa nas práticas de prevenção atuais, pois as diretrizes vigentes podem não detectar a doença de forma precoce.
Na rotina clínica diária, os médicos calculam o escore de risco ASCVD de uma pessoa durante consultas de rotina na atenção primária, geralmente para adultos de 40 a 75 anos sem histórico de doença cardíaca. O escore estima a probabilidade de um ataque cardíaco ou acidente vascular cerebral (AVC) em 10 anos, levando em consideração idade, sexo, raça, pressão arterial, colesterol, diabetes e tabagismo e é feito 48 horas após os sintomas.
Pacientes com escores intermediários ou altos geralmente recebem medicamentos para baixar o colesterol e, às vezes, exames diagnósticos adicionais. Indivíduos com escores baixos, principalmente se não relatam dor no peito ou falta de ar, frequentemente são tranquilizados e recebem alta sem uma nova avaliação.
Publicação: ScienceDaily (27/11/2025)
Como a barriga define a idade do cérebro

Cientistas descobriram que mais músculos e menos gordura abdominal oculta estão ligados a uma idade biológica cerebral mais jovem. A gordura visceral profunda parece acelerar o envelhecimento cerebral, enquanto a massa muscular oferece um efeito protetor.
Gordura visceral refere-se aquela que fica no abdômen, ao redor de órgãos internos importantes. Já a idade cerebral é uma estimativa da idade aparente do cérebro, com base em sua estrutura visualizada por meio de ressonância magnética.
O estudo avaliou 1.164 adultos saudáveis (52% mulheres) em quatro centros de pesquisa, utilizando ressonância magnética de corpo inteiro. Os participantes tinham uma idade cronológica média de 55 anos. As imagens incluíram sequências de ressonância magnética ponderadas em T1, que destacam a gordura como brilhante e os fluidos como escuros, proporcionando uma visão clara dos músculos, da gordura e do tecido cerebral. O trabalho é da Escola de Medicina Mount Sinai.
Publicação: ScienceDaily (27/11/2025)
Especialistas desaconselham rastreio do câncer de próstata
O rastreio do câncer da próstata não deve ser disponibilizado à grande maioria dos homens no Reino Unido, afirmou um painel de especialistas em saúde do governo. O Comitê Nacional de Rastreamento do Reino Unido (UKNSC) recomendou, em vez disso, que haja um programa de rastreamento direcionado para homens com uma variante genética defeituosa confirmada nos genes BRCA1 ou BRCA2, o que significa que eles têm maior risco de desenvolver cânceres mais agressivos e de crescimento mais rápido em uma idade mais precoce.
O rastreio seria em homens de 45 e 61 anos de idade e a cada dois anos. A proposta preliminar ficará agora aberta para consulta pública durante 12 semanas, antes de ser apresentada a recomendação final ao governo em março.
O câncer de próstata é o câncer mais comum entre os homens, afetando um em cada oito, com cerca de 55.300 novos diagnósticos e 12.200 mortes por ano. Apesar de ser o segundo câncer mais comum no Reino Unido, depois do câncer de mama, não existe um programa de rastreamento em vigor, em parte devido à falta de confiabilidade do teste de antígeno prostático específico (PSA).
Publicação: The Guardian (28/11/25)
O que MR publicou
- A virada do médico rumo aos R$ 56 milhões
- Expectativa de vida sobe para 76,6 anos, a maior já registrada
- Voos privados para o transporte de órgãos podem ser isentos de taxas
- InCor investiga efeitos do vinho tinto no cérebro
Fiocruz testa em humanos medicamento para atrofia muscular espinhal
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) iniciar testes clínicos em humanos do GB221, um produto de terapia gênica avançada voltado ao tratamento da Atrofia Muscular Espinhal (AME) Tipo 1 (SMA1), a forma mais grave da doença.
O anúncio foi durante reunião do Grupo Executivo do Complexo Econômico-Industrial da Saúde (Geceis).
A terapia GB221 foi desenvolvida pela empresa norte-americana Gemma Biotherapeutics, Inc. (GEMMABio). A Fiocruz, além de participar do desenvolvimento clínico da terapia, firmou um acordo de transferência de tecnologia junto à empresa, por meio do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos), abrindo caminho para que a produção nacional de uma terapia gênica seja realizada pela primeira vez.
O remédio Nusinersena é feito pela Fiocruz, em parceria com a Hypera Pharma e a Aurisco Pharmaceutical, e é oferecido pelo SUS desde 2019. O acordo, dentro do Novo PAC da Saúde, prevê a transferência de uma tecnologia inédita na América Latina para fabricação de oligonucleotídeos, reduzindo a dependência externa, ampliando o acesso a terapias de alta complexidade e trazendo economia aos cofres públicos.
Publicação: Agência Brasil (25/11/25)
Vacina contra a dengue do Butantan pode beneficiar saúde global

A vacina da dengue do Instituto Butantan, que teve o registro aprovado nesta quarta-feira (26) pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), pode beneficiar, além dos brasileiros, populações de outros países, disse o vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Renato Kfouri.
Ele alerta que a doença está em plena expansão no mundo, especialmente em países tropicais.
Segundo o Butantan, há um milhão de unidades da vacina contra a dengue prontas para distribuição. Este é o primeiro imunizante no mundo de apenas uma dose. A estimativa do Butantan é ter disponível mais de 30 milhões de doses em meados de 2026. A previsão do governo é incorporar o mais rapidamente possível o imunizante no Programa Nacional de Imunizações para começar a campanha de vacinação no início de 2026.
A ONG Médicos Sem Fronteiras celebrou aprovação de vacina da dengue do Butantan e defende uque interesse público prevaleça no acesso ao imunizante A organização considera que Brasil pode dar exemplo ao permitir transferência de tecnologia para atender populações mais vulneráveis à doença e acompanha com atenção as discussões sobre o território de licenciamento da vacina do Butantan.
A aprovação pela Anvisa de uma nova vacina contra a dengue abre caminho para reduzir hospitalizações, casos graves e pressão sobre os serviços de saúde causados pela doença, especialmente em regiões mais vulneráveis. Em um cenário em que a dengue se expande de maneira acelerada sob influência da crise climática global, Médicos Sem Fronteiras acredita que a notícia é boa não apenas para o Brasil, mas pode representar uma ferramenta de saúde pública com potencial significativo para que a vacina se torne mais acessível aos que mais necessitam dela também em outras partes do mundo.
Publicação: Agência Brasil (26/11/25)
Saiba como será oferta da vacina que previne bronquiolite em bebês
O Ministério da Saúde anunciou que mulheres grávidas poderão receber a partir de dezembro a vacina contra o vírus sincicial respiratório (VSR), principal causador de bronquiolite em bebês. O imunizante será oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS) a gestantes a partir da 28ª semana da gestação. 

O primeiro lote, com 673 mil doses da vacina, já começou a ser distribuído aos estados. A orientação do ministério é que, com a chegada das doses às unidades básicas de saúde (UBS), as equipes verifiquem e atualizem a situação vacinal de gestantes, incluindo ainda a imunização contra a covid-19 e a influenza, já que a vacina contra o VSR pode ser administrada junto a outras doses. Na rede particular, o imunizante pode sair por até R$ 1,5 mil.
Publicação: Agência Brasil (26/11/25)
OMS estima 35,3 milhões de novos casos de câncer em 2050
A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou que a incidência de novos casos de câncer no mundo passará de 20 milhões em 2022 para 35,3 milhões em 2050, aumento de 77%. As estimativas globais revelam grande desigualdade da distribuição da doença. Os maiores aumentos são previstos para países de baixa e média renda, despreparados para enfrentar a explosão de casos.
Publicação: Agência Brasil (27/11/25)


