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Vacina gengival; enzimas do trauma; morango da lesão; ChestFinder

Da redação
3 de agosto de 2025

Boletim de MR sobre medicina, pesquisa, inovação, saúde mental, negócios e políticas públicas

Fio dental no lugar de gotinhas e sprays

Pesquisadores da North Carolina State University (NC State), em Raleigh (Estados Unidos), demonstraram um novo método de vacinação utilizando fio dental para introduzir imunizantes pelo tecido mole entre os dentes e a gengiva. Testes com animais revelaram que a nova técnica estimula a produção de anticorpos em superfícies mucosas, como os revestimentos do nariz e dos pulmões. As vantagens seriam significativas, já que o epitélio juncional, fonte de entrada para patógenos, como influenza e covid, também é permeável aos inoculantes.

Para determinar a viabilidade, os pesquisadores aplicaram um imunizante no fio e o passaram nos dentes de camundongos de laboratório. Ao comparar a produção dos anticorpos com os inoculados por aplicação sob a língua (gotinhas), os resultados foram superiores. “Como o epitélio juncional é mais permeável do que outros tecidos epiteliais, representa uma oportunidade única para introduzir vacinas no corpo de uma forma que estimulará a produção aumentada de anticorpos nas camadas mucosas do corpo”, diz Harvinder Singh Gill, professor de nanomedicina na NC State e um dos autores do trabalho. “Isso melhora a capacidade do corpo de prevenir infecções, porque há uma linha adicional de defesa”, completa.

“Descobrimos que a aplicação da vacina via epitélio juncional produz uma resposta de anticorpos muito superior nas superfícies mucosas do que o padrão ouro atual para vacinação via cavidade oral”, afirma Rohan Ingrole, principal autor do artigo e aluno de doutorado de Gill na Texas Tech University, em Lubbock. “A técnica de uso também oferece proteção comparável contra o vírus da gripe em comparação com a vacina administrada via epitélio nasal [spray]”, afirma Ingrole.

Tratamento para próstata com metástase é liberado no Brasil

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) liberou um novo tratamento para câncer de próstata em fase de metástase. A terapia combina o inibidor de enzima talazoparibe com o inibidor do receptor de andrógeno enzalutamida. O novo tratamento é indicado para casos em que o tumor continua a crescer mesmo após o bloqueio de testosterona.

As estatísticas mostram que até 20% dos pacientes desenvolvem a doença de forma metastática e resistente ao bloqueio hormonal (mCRPC) do câncer. Outro tipo ainda mais grave é o câncer de próstata com mutação no gene do reparo por recombinação homóloga (HRR), também resistente ao bloqueio, que atinge cerca de 4% dos pacientes. O novo tratamento vai tentar melhorar a capacidade de reparação das células, impedindo a progressão da doença.

O talazoparibe é produzido pela Pfizer, sob o nome comercial Talzenna, sendo usado comumente para casos de câncer de mama e de ovário com a mutação HRR, enquanto o enzalutamida, é da Accord, chegando como Xtandi. De acordo com o Ministério da Saúde, em 2023 morreram por câncer de próstata no Brasil 17.093 pacientes, enquanto o Instituto Nacional de Câncer (Inca), contabilizou 19.103 mulheres vitimadas por câncer de mama em 2022 .

Bloqueando enzimas e memórias traumáticas

O transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) tem como principal sintoma a dificuldade para esquecer experiências traumáticas. Os atuais tratamentos com medicamentos proporcionam apenas alívio limitado para a maioria dos pacientes, com crises nervosas sendo recorrentes. Porém, pesquisadores do Instituto de Ciências Básicas (IBS) e da Universidade Feminina Ewha, em Seul (Coreia do Sul), descobriram um novo mecanismo cerebral e um medicamento promissor que pode neutralizar os efeitos do TEPT.

Liderada por C. Justin Lee, do Centro de Cognição e Socialidade do IBS, e por In Kyoon Lyoo, de Ewha, a equipe demonstrou que o excesso de ácido gama-aminobutírico (GABA) produzido pelos astrócitos, células de suporte em forma de estrela no cérebro, prejudica a capacidade do cérebro de extinguir memórias de medo. Esse déficit é central no TEPT e ajuda a explicar por que memórias traumáticas podem persistir por muito tempo após a ameaça ter passado.

O bloqueador KDS2010 atua sobre a enzima monoamina oxidase B, responsável por essa produção anormal de GABA, revertendo sintomas semelhantes aos do TEPT em camundongos. O medicamento já passou pelos testes de segurança de Fase 1 em humanos, o que o torna um forte candidato para futuros tratamentos.

O que MR publicou

IA pode facilitar diagnóstico de enfisema e câncer

Uma ferramenta de inteligência artificial desenvolvida por pesquisadores da Universidade Federal Fluminense (UFF) pode facilitar a detecção de enfisema pulmonar ou câncer de pulmão em exames de tomografia computadorizada. As duas doenças podem se agravar de forma silenciosa durante anos, o que aumenta a importância do diagnóstico oportuno.

A ferramenta, chamada de ChestFinder, está sendo treinada para analisar bancos de dados abastecidos com imagens e laudos de outros pacientes, e identificar padrões visuais e textuais que indiquem a presença das doenças. O estudo foi iniciado há cerca de dois anos, no Hospital Universitário Antônio Pedro, em Niterói, ligado à UFF. Os primeiros resultados mostram que a ferramenta apresentou acurácia e sensibilidade significativas.

“É importante ressaltar que a ferramenta não fornece um diagnóstico, ela apresenta uma possível indicação que deve ser avaliada por um profissional. Entretanto, já com essa indicação, pacientes poderão ser encaminhados para acompanhamento especializado de forma mais rápida, o que ajuda na elaboração de diagnósticos precoces”, ressalta o professor Daniel de Oliveira, do Instituto de Computação da UFF.

De acordo com ele, a ferramenta será disponibilizada em repositório público, para que possa ser aplicada em outros hospitais que já armazenam laudos e exames digitalmente. O ChestFinder permite também que os médicos encontrem outros resultados compatíveis ou semelhantes aos do paciente, para analisá-los comparativamente, de acordo com o contexto clínico.

Além disso, de acordo com a professora do Departamento de Radiologia da UFF, Cristina Asvolins, o software pode sinalizar indício das doenças mesmo quando esse não for o objetivo principal do exame. A IA pode diminuir o tempo de espera até a confirmação do diagnóstico, e o custo econômico, já que tanto o enfisema como o câncer demandam menos intervenções quando descobertos em fase inicial, e têm um fator de risco bastante comum. “Descobrir um câncer, por exemplo, como de pulmão, numa fase inicial onde existe possibilidade de tratamento, traz muitos benefícios para o paciente e para a rede de saúde, seja pública ou privada”, diz ela.

Os riscos dentários do morango do amor

Popular nas redes sociais, o bombom de morango envolvido em calda de caramelo pode trazer riscos à saúde dos dentes. O Conselho Federal de Odontologia (CFO) alertou na última semana que alimentos duros e pegajosos, como o morango do amor, podem quebrar dentes e danificar próteses e aparelhos ortodônticos.

“Também viralizaram vídeos de pessoas que quebraram dentes ou lentes dentais”, alertou, em comunicado. Para evitar fraturas , é possível escolher as partes mais finas do caramelo. Durante a mastigação, a pessoa deve usar os molares (os dentes de trás) que são mais fortes e possuem a função de triturar os alimentos.

Como a receita ainda tem alto índice de açúcar, o conselho também alerta para o risco de cáries. “A vilã dos sorrisos é provocada pelo acúmulo de biofilme e pela ingestão frequente de açúcares e carboidratos fermentáveis, levando à desmineralização dos dentes”, informou.

Por fim, pacientes com facetas, próteses fixas ou removíveis e aparelhos ortodônticos não devem ingerir alimentos duros e pegajosos. A orientação é buscar por receitas parecidas, sem incluir o caramelo. “Dependendo do acidente, é possível haver danos irreversíveis aos dispositivos, que podem ser arrancados da boca por ficarem grudados ao doce. Além disso, ao serem danificados, eles podem provocar lesões na cavidade oral”, alertou o conselho.

Anestesias em estúdios de tatuagens estão proibidas

O Conselho Federal de Medicina (CFM) proibiu a utilização de anestesia para a realização de tatuagens, “independentemente da extensão ou localização” do desenho. Os médicos estão vedados de fazer tanto anestesia geral como local, e também sedação.

A resolução foi publicada no Diário Oficial da União desta segunda-feira (28) e libera o uso de anestesias apenas em “procedimentos anestésicos destinados a viabilizar a tatuagem com indicação médica para reconstrução“, como a pigmentação da aréola após cirurgia de retirada das mamas, em mulheres que passaram por tratamento de câncer de mama.

Mesmo nessas situações, o CFM determina que o procedimento deve ocorrer em ambiente de saúde “com infraestrutura adequada, incluindo avaliação pré-anestésica, monitoramento contínuo, equipamentos de suporte à vida e equipe treinada para intercorrências”

A resolução considera o crescimento recente da participação de médicos, em especial anestesiologistas, na administração de agentes anestésicos para facilitar a realização de tatuagens extensas ou em áreas sensíveis, de acordo com o conselheiro Diogo Sampaio, relator da medida.

“A participação médica nesses contextos, especialmente envolvendo sedação profunda ou anestesia geral para a realização de tatuagens, configura um cenário preocupante, pois não existe evidência clara de segurança dos pacientes e à saúde pública. Ao viabilizar a execução de tatuagens de grande extensão corporal, que seriam intoleráveis sem suporte anestésico, a prática eleva demasiadamente o risco de absorção sistêmica dos pigmentos, metais pesados (cádmio, níquel, chumbo e cromo) e outros componentes das tintas”, explica.

A decisão do CFM recebeu o apoio da Sociedade Brasileira de Anestesiologia (SBA). Em nota, a entidade destacou que “o uso de técnicas anestésicas, mesmo em situações consideradas simples ou estéticas, envolve riscos que exigem preparo, ambiente apropriado e protocolos rigorosos de segurança.”

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