Grupo Pão de Açúcar explicou que oferta não foi solicitada, nem negociada previamente
O GPA informou no fim desta quarta-feira (28) que Jaime Gilinski, um banqueiro bilionário da Colômbia, ofereceu US$ 836 milhões (cerca de R$ 4 bilhões) por 96% das ações do Éxito, que está sob o guarda-chuva da empresa.
Em fato relevante, o GPA explicou que a oferta, que será paga em dinheiro, não foi solicitada nem negociada previamente.
A transação deve jogar luz sobre o valor descontado do GPA, que está em vias de cindir o Exito e distribuir sua participação aos seus acionistas.
Hoje o GPA — que é dono de 730 lojas e de uma das marcas mais conhecidas do varejo brasileiro — vale R$ 4,4 bi na B3, praticamente o mesmo valor da oferta.
Ainda assim, a proposta não parece exatamente suculenta. O valor implica um múltiplo de menos de 4x EV/ebitda, abaixo do que o GPA negocia hoje, em torno de 6x. O valor também é menor que market cap atual do Exito, que vale US$ 1,3 bi na Bolsa da Colômbia.
Por outro lado, uma venda direta como esta seria mais rápida e segura do que o processo de spinoff em curso, que já se arrasta há mais de um ano nas três jurisdições em que o GPA é listado: Brasil, Colômbia e NYSE.
O processo seria ainda mais rápido pelo fato do comprador não ser um outro varejista, o que poderia enfrentar restrições regulatórias e de antitruste.
O GPA disse que já enviou a proposta para seu conselho, que avaliará se recomenda a transação.
Caso a venda se concretize, o GPA passaria a uma posição de caixa líquido. A companhia fechou o primeiro trimestre com uma dívida líquida de R$ 3 bilhões e alavancagem de cerca de 2,7x.
O Exito é dono de mais de 600 lojas – a vasta maioria na Colômbia – tem receita de R$ 25 bilhões, ebitda de R$ 2,2 bilhões e margem operacional de 9% nos últimos 12 meses.
O que MONEY REPORT publicou
