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O apetite do Centrão parece insaciável: agora, a meta é recriar o ministério do Planejamento

Aluizio Falcão Filho
24 de julho de 2021

Os dias de superministro de Paulo Guedes já acabaram. Mas ele pode perder ainda mais espaço na Esplanada se depender do Centrão. O principal grupo de apoio político do presidente Jair Bolsonaro acaba de ser contemplado com o mais prestigioso dos ministérios, o da Casa Civil, que deverá ser ocupado pelo senador Ciro Nogueira – e acabou provocando a recriação da pasta de Trabalho e Previdência (antes sob o teto da Economia).

Agora, os esforços serão concentrados para que o Ministério do Planejamento, responsável pelo orçamento do governo e hoje reduzido a uma secretaria especial, seja recriado e entregue aos centristas. Ciro deve atuar em duas frentes – a primeira seria convencer Bolsonaro de que essa manobra seria indispensável para destravar as reformas e melhorar a relação do Planalto com o Congresso. A segunda, mais difícil, seria atenuar o descontentamento de Guedes com mais uma demonstração inequívoca de poder em decréscimo.

Guedes já avisou que não cederá fácil. “Qualquer pedido que pudesse desviar o nosso programa, o presidente sempre me deu apoio total. Houve pedido para recriar Ministério do Planejamento, da Indústria, do Trabalho. E o presidente nunca cedeu”, afirmou Guedes a um grupo de jornalistas na sexta-feira (23).

Mas dificilmente o Centrão perderá essa batalha. E, apesar de tudo, Guedes deverá continuar na Esplanada, embora visivelmente esvaziado.

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