O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), conhecido por sua moderação, subiu o tom na noite desta segunda-feira (1º) contra o presidente Jair Bolsonaro. Foi uma reação aos tweets do chefe do Executivo sobre os repasses aos estados em meio à crise dos leitos nas unidades de terapia intensiva (UTI). “Não adianta evocar Deus e colocá-lo acima de todos, porque Deus coloca a vida em primeiro lugar”, rebateu Leite em uma live. “Um líder na posição dele [Bolsonaro], que despreza os cuidados sanitários e sua gente, buscando algum proveito político ou se desfazer de algum prejuízo que possam causar as medidas que devem ser tomadas, infelizmente está matando”, continuou.
Durante a transmissão, Leite ressaltou que dentro do montante de recursos dos repasses federais, grande parte é composta por valores automáticos e reposições obrigatórias. Dessa forma, o Rio Grande do Sul não recebeu R$ 40,9 bilhões para o enfrentamento direto da pandemia, mas R$ 3,05 bi. Desse valor, R$ 2,1 bi foram para suprir perdas e utilização livre. Os recursos específicos à saúde totalizaram R$ 826 milhões com outros R$ 75 milhões para editais de repasse ao setor cultural. Além disso, o governador explicou seu estado gerou à União mais de R$ 70 bi em impostos.
Rio Grande do Norte: R$ 18,3 bilhões.
— Jair M. Bolsonaro (@jairbolsonaro) February 28, 2021
Auxílio: R$ 5,55 bilhões.
Rio Grande do Sul: R$ 40.9 bilhões.
Auxílio: R$ 12,2 bilhões.
Rondônia: R$ 8,6 bilhões.
Auxílio: R$ 2,64 bilhões.
Roraima: R$ 5,1 bilhões.
Auxílio: R$ 1,04 bilhão.
O tom acalorado também é visto como um gesto aos tucanos descontentes com a possível candidatura do governador paulista João Doria (PSDB) ao pleito de 2022. Leite já criticou Doria: “Diferentemente do governador Doria, eu não fiz campanha casada com Bolsonaro, não manifestei apoio ao candidato. Em nenhum momento misturei o meu sobrenome ao dele”. O governador gaúcho tenta se apresentar como um possível contraponto para as prévias do partido. Ele tentaria se apresentar como um opositor geral ao bolsonarismo, ao petismo e ao dorianismo tucano.
