Chefe do jurídico da Petrobras, ele já ocupou a pasta durante duas semanas com Dilma. Sua missão deve incluir a criação do Ministério da Segurança Pública
O anúncio ainda não é oficial, mas o presidente já escolheu o advogado Wellington Lima e Silva (imagem) para o Ministério da Justiça, em substituição de Ricardo Lewandowski, que em 9 de janeiro se afastou da política para tratar de questões familiares. No início de dezembro, o agora ex-ministro apresentou a carta de demissão da pasta que ocupou desde 1º de fevereiro de 2024. Desde então cargo é ocupado interinamente pelo secretário executivo da pasta, Manoel Carlos de Almeida Neto.
Wellington César Lima e Silva participou de uma reunião com o presidente nesta terça (13) para confirmar sua indicação e dar o aceite definitivo. Ele não é novato na esfera petista. No governo Dilma chegou a ocupar a pasta da Justiça interinamente durante 11 dias, em março de 2016, entre a saída de José Eduardo Cardozo e a posse de Eugênio Aragão. Não virou titular por ser barrado, já que como então integrante do Ministério Público, não poderia exercer funções no Poder Executivo. Agora chegou sua vez. Ele terá a missão de adotar uma “pegada dura”, desfazendo a imagem de que a esquerda não é agressiva o suficiente contra a criminalidade.
O novo ministro seria o encarregado da criação de um Ministério da Segurança Pública. A iniciativa pode ser criticada se ocorrer agora, dado o seu caráter de aparência eleitoreira e a relação de animosidade do Executivo com parte dos governadores, que temem perder o controle de parte de suas polícias diante de um trabalho mais integrado contra o crime organizado.
Lima e Silva ganhou a confiança de Lula nos 14 meses em atuou como secretário de Assuntos Jurídicos da Casa Civil da Presidência, convivendo diariamente com o presidente ao preparar despachos, análises de atos da Presidência e avaliações de indicações vindas da base aliada.
No momento, chefia o departamento jurídico da Petrobras, indicado pelo próprio Lula. Sua primeira posição de destaque foi como procurador-geral de Justiça da Bahia, durante o governo do hoje senador Jaques Wagner (PT). E são os ex-governadores baianos Wagner e Rui Costa, da Casa Civil, que apoiam de perto Lima e Silva.
Em 2016, foi o então ministro da Casa Civil de Dilma, Jaques Wagner, que o indicou à pasta – o que não se concretizou.
Suas credenciais acadêmicas mais notórias são um mestrado em Direito Penal e Criminologia pela Universidade Cândido Mendes (RJ), créditos de doutorado em Direito Penal e Criminologia pela Universidade Pablo de Olavide, em Sevilha, na Espanha, e ter atuado como professor de Direito Penal em cursos de graduação e pós.
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