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Você acha que os ânimos estão acirrados? Espere até chegarmos mais perto da eleição

Um meme circulou muito no final de 2018. Dizia o seguinte: “Vou ter de passar o Natal com Jair Bolsonaro porque briguei com toda a minha família”. O post, que tem uma grande dose de bom humor, refletia o acirramento de ânimos que houve durante a última eleição presidencial. Amizades foram desfeitas, relações de trabalho ficaram estremecidas e parentes deixaram de se falar. Um tipo de discórdia que não se viu nem no segundo turno entre Fernando Collor e Luiz Inácio Lula da Silva.

Se você achou que esse comportamento de 2018 foi exagerado, aperte os cintos. A eleição de 2022 deve trazer novos enfrentamentos, conflitos e duelos verbais – em doses muito maiores. Há três fatores que explicam uma elevação no tom das discussões políticas para o ano que vem.

Em primeiro lugar, teremos Lula como candidato à presidência, algo que não ocorreu em 2018. A simples presença do ex-presidente no páreo já provoca discussões apaixonadas por parte de seus opositores. As queixas dos mais conservadores têm raízes no projeto econômico do PT, que foi totalmente descortinado durante a gestão de Dilma Rousseff, e também nos processos de corrupção atribuídos ao partido e divulgados com pompa e circunstância pela Operação Lava-Jato.

Além disso, o reset que o ministro Edson Fachin promoveu no processo de Lula, mandando a ação à corte em Brasília em detrimento da Justiça curitibana, também será alvo de disputas verbais. Os petistas arguirão que Lula foi inocentado (o que, do ponto de vista técnico, não é verdade, pois o processo voltou à estaca zero) e que tudo não passou de perseguição política por parte do ex-juiz Sergio Moro. Já os opositores ao Lulismo vão insistir que ele era o chefe do esquema de corrupção petista e que deveria ter ficado na prisão (mas é bom recordar que se Fachin nada tivesse feito, o ex-presidente seria solto de qualquer forma em decorrência do regime de progressão – mas permaneceria inelegível).

O embate em torno da honestidade do ex-presidente vai gerar muito bate-boca. E a interjeição “e se fosse o PT?” ganhará nova força, até porque Lula está em uma posição confortável nas pesquisas de intenção de voto.

Do lado de quem é opositor a Bolsonaro, há também motivos para entrar com tudo nas discussões eleitorais. O presidente, desde que foi eleito, continuou a debochar da esquerda e daqueles que defendem teses mais progressistas de comportamento. Fez pouco das ideias politicamente corretas e isso é algo que irrita boa parte da elite intelectual do país – em especial os esquerdistas. Portanto, é de se esperar que muita lenha seja queimada nesse tipo de contenda política.

Além disso, os oposicionistas têm farto material para criticar o presidente sobre a estratégia do governo em relação à pandemia e também sobre as declarações de Bolsonaro nos últimos meses. De fato, o mandatário tem exagerado na falta de empatia ao proferir declarações sobre a quantidade de mortos registrada durante a crise sanitária. Isso se soma ao desgaste em torno do debate envolvendo a cloroquina e também às denúncias de que propostas de compra de vacinas foram ignoradas ainda no ano passado.

Somente a pandemia tem potencial para gerar uma hostilidade no nível DEFCON 1, até porque a reação de muitos sobre o tema é absolutamente emocional (sete entre dez brasileiros conhecem alguém que morreu acometido por Covid-19).

Finalmente, temos um terceiro grupo que vai se envolver profundamente nessas discussões. Na eleição passada, tivemos a figura dos isentões, eleitores moderados que não queriam Bolsonaro ou Fernando Haddad. Esses indivíduos, massacrados por bolsonaristas e acusados de petistas enrustidos, tentavam entrar nas discussões pregando um terceiro nome e eram escorraçados digitalmente.

Se em 2018 essas pessoas tentavam manter a fleuma por uma questão de coerência (afinal, queriam distância dos extremos inflamados), no ano que vem a conversa será diferente. Os isentões 2.0 estão em número maior que em 2018 e sem paciência. Em vez do comportamento fleumático do passado, estão com o pavio curto e reagindo mal ao bordão “e se fosse o PT?”.

Esses eleitores são os novos “nem-nem” (expressão que está virando hashtag): não pretendem votar em Bolsonaro ou Lula. E dizem que deixarão de exercer o direito cívico se o segundo turno ficar entre os dois líderes das pesquisas.

Ou seja, temos a reedição de dois grupos que já se desentenderam no passado. Mas, dessa vez, a turma do “deixa-disso” de 2018 promete vir com um quente e dois fervendo. Essa adição vai botar mais temperatura em uma caldeira que está prestes a explodir.

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