O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a retirada do sigilo de dezenas de investigações ligadas ao caso Master, incluindo o inquérito conhecido como “Dark Horse”, que envolve o senador Flávio Bolsonaro (PL). A decisão foi tomada após pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) e amplia o acesso público aos desdobramentos de um dos casos de maior repercussão política do momento.
Segundo informações do jornal O Globo, Mendonça autorizou nesta sexta-feira a abertura de mais 38 processos que tramitavam sob sigilo no STF. Somadas às decisões tomadas no dia anterior, 53 ações tiveram a restrição de acesso retirada em apenas dois dias.
O inquérito “Dark Horse” apura o financiamento da cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. De acordo com as investigações, Flávio Bolsonaro teria atuado como interlocutor junto ao banqueiro Daniel Vorcaro na busca por recursos para o projeto, que posteriormente seriam administrados pelo ex-deputado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Ambos negam qualquer irregularidade.
A decisão também alcança investigações envolvendo o senador Ciro Nogueira (PP), suspeito de atuar em favor de interesses de Daniel Vorcaro e do Banco Master no Congresso Nacional. A Polícia Federal aponta o suposto recebimento de vantagens financeiras, acusação que o parlamentar rejeita.
Outro processo tornado público é o que envolve o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL). O inquérito investiga possíveis irregularidades em um aporte de R$ 3,6 bilhões realizado pelo Rioprevidência ao Banco Master. As apurações analisam a atuação de dirigentes do fundo em operações consideradas de alto risco. Castro nega irregularidades.
Também foi incluída na lista a investigação sobre o senador Jaques Wagner (PT). O caso apura sua relação com Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master, e supostos benefícios financeiros que teriam envolvido repasses a empresa de familiares e a aquisição de um imóvel de alto padrão em Salvador. O parlamentar afirma não ter cometido qualquer ato ilícito.
A ampliação da retirada de sigilo atende a pedido do vice-procurador-geral da República, Hindemburgo Chateaubriand Filho, que argumentou que parte dos procedimentos ligados à investigação mais ampla da Compliance Zero, conhecida como caso Master, ainda permanecia fora da lista de processos anteriormente divulgados.
