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Rogério Marinho ataca gestão Lula e diz que mercado já precifica vitória de Flávio

Rodrigo Dias
31 de agosto de 2026
Senador afirmou que PT busca “se perpetuar no poder”, prometeu ajuste fiscal e adiantou que eventual vitória da oposição levaria dólar a R$ 4,60 e juros de 12% já em 2027

O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), fez duras críticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nesta segunda-feira (31), durante o Macro Day do BTG Pactual. Ao tratar do cenário eleitoral e econômico, Marinho acusou o atual governo de promover uma expansão fiscal recorrente e afirmou que o PT conduz medidas com objetivo eleitoral.

“O PT não tem projeto de país. Tem projeto de se perpetuar no poder, mesmo que signifique atingir frontalmente a questão econômica no Brasil”, declarou o senador.

Marinho citou como exemplo a tentativa do governo de avançar com o fim da escala 6×1, que classificou como uma medida contaminada pelo calendário eleitoral. Para o senador, temas relacionados à jornada de trabalho deveriam ser discutidos depois das eleições e com maior avaliação dos impactos sobre as empresas. Ele também criticou a aproximação recente de Lula com os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e disse enxergar na retomada de algumas pautas no Congresso uma tentativa do governo de recuperar popularidade.

Na economia, o senador concentrou os ataques na trajetória das contas públicas e no atual patamar dos juros. Segundo Marinho, um eventual governo de Flávio Bolsonaro buscará equilibrar receitas e despesas, promover uma reforma administrativa já no primeiro ano e rever gastos e privilégios nos três Poderes. Ele também defendeu a profissionalização das estatais e voltou a criticar o atual arcabouço fiscal. “O maior ajuste fiscal que pode ser feito é tirar de uma vez por todas o PT do poder”, declarou.

Marinho afirmou ainda que a oposição pretende atacar os chamados supersalários do funcionalismo e estabelecer limites mais rígidos para pagamentos acima do teto constitucional. Para ele, um novo governo também deveria rever investimentos considerados ineficientes, melhorar a gestão das empresas públicas e buscar uma trajetória de redução da relação entre dívida e PIB. O senador associou diretamente a deterioração fiscal ao custo dos juros e afirmou que cada ponto percentual a menos na taxa representaria, em seus cálculos, uma economia próxima de R$ 80 bilhões.

Ao final do painel, Marinho disse acreditar que os mercados já incorporam aos preços os diferentes resultados possíveis da eleição presidencial. “Está tudo precificado no mercado”, afirmou. Segundo o senador, uma vitória de Lula poderia levar o dólar a cerca de R$ 6 e os juros a 17%, enquanto uma eleição de Flávio Bolsonaro permitiria, na avaliação dele, levar a taxa de juros para uma faixa entre 12% e 13% já no primeiro ano e o dólar para aproximadamente R$ 4,60. As projeções foram apresentadas pelo próprio senador durante o evento, sem detalhamento de modelo econômico.

No campo eleitoral, Marinho avaliou que a disputa está aberta e disse que a oposição concentrará esforços especialmente no Sudeste, onde admite desempenho inferior ao obtido por Jair Bolsonaro em 2022. No Nordeste, afirmou enxergar redução da vantagem de Lula. O senador também adiantou esperar apoio de partidos de centro em um eventual segundo turno e reafirmou a proposta de Flávio de extinguir a reeleição presidencial, com a intenção de aprovar uma PEC sobre o tema ainda durante uma eventual transição de governo.

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