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Quando a memória entra na campanha

Da redação
1 de agosto de 2026
Vídeo em que Cleitinho aparece com o pai e o irmão falecidos mistura luto, tecnologia e estratégia eleitoral em Minas Gerais

Imagem da Semana não mostra um comício nem uma convenção partidária. Mostra um encontro que nunca aconteceu.

Em um vídeo publicado nas redes sociais, o senador Cleitinho (Republicanos-MG) aparece ao lado do pai, José Maria Azevedo, morto em 2024, e do irmão, Matheus Azevedo, que faleceu neste mês após tratamento contra leucemia. Os dois foram recriados por inteligência artificial.

Na gravação, Cleitinho diz estar inseguro, com medo e em dúvida. O pai pergunta onde está sua fé. Depois, o irmão surge com uma bandeira de Minas Gerais e o incentiva a seguir em frente. A publicação termina com a frase “Seguirei na missão”, interpretada como sinal de que o senador pretende disputar o governo mineiro.

A cena chama atenção porque transforma uma decisão política em narrativa de luto. A inteligência artificial não aparece apenas como recurso visual, mas como instrumento para dar voz a familiares mortos e criar uma espécie de autorização emocional para a candidatura.

O vídeo também ganhou peso porque Minas Gerais é o segundo maior colégio eleitoral do país e costuma ter papel decisivo nas disputas presidenciais. Líder nas pesquisas estaduais, Cleitinho pode influenciar não apenas a corrida pelo Palácio Tiradentes, mas também os cálculos de Lula e Flávio Bolsonaro.

A Imagem da Semana registra, assim, um novo estágio da comunicação política. Não é apenas um vídeo de pré-campanha. É o momento em que memória, tecnologia e eleição passam a ocupar a mesma tela.

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