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Qualquer desoneração será compensada, afirma Funchal

Da redação
25 de fevereiro de 2021

Qualquer medida de desoneração de impostos precisa ser compensada com aumento de outros tributos ou com corte de gastos, o secretário do Tesouro Nacional, Bruno Funchal (Imagem), nesta quinta-feira (25). Segundo ele, a compensação é necessária para não desrespeitar a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).

Apesar de reiterar o compromisso com a LRF, o Funchal não detalhou quais medidas a equipe econômica estuda para compensar a isenção do Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) que incide sobre o diesel e o gás de cozinha. Na semana passada, o presidente Jair Bolsonaro anunciou, em transmissão ao vivo nas redes sociais, que as isenções entrariam em vigor na próxima segunda-feira (1º), para baratear o preço dos combustíveis.

A medida depende da publicação de decreto presidencial no Diário Oficial da União para passar a valer. Ao anunciar a medida, Bolsonaro havia informado que a redução a zero do PIS/Cofins valeria por dois meses, no caso do diesel, e seria permanente para o gás de cozinha.

Auxílio emergencial
Sobre a recriação do auxílio emergencial, Funchal acredita que o Congresso aprovará as contrapartidas de cortes de gastos obrigatórios para estender o benefício. Essas medidas de ajuste fiscal constam na proposta de emenda à Constituição (PEC) emergencial, cuja votação no Senado ficou para a próxima semana. “Sei que o Congresso vai fazer a coisa certa e consegue enxergar isso: que é fundamental andar com as duas coisas [auxílio emergencial e contrapartidas] concomitantemente”, explicou Funchal em entrevista coletiva para explicar o superávit primário de R$ 43,1 bilhões em janeiro.

Na avaliação do secretário, a aprovação da PEC Emergencial impedirá o descontrole das contas públicas e dará um sinal de credibilidade para a economia brasileira. Ele disse que as contrapartidas de corte de gastos obrigatórios ajudarão a manter os juros baixos por mais tempo. “Para andar com o auxílio, que tem um custo, essa contrapartida, que garante uma sustentabilidade no futuro, é o que vai permitir que as taxas de juros continuem baixas, que o Brasil tenha boa percepção de risco [no mercado financeiro]”.

O texto a ser votado no Senado institui uma cláusula de calamidade, que permite contornar o teto de gastos. A versão institui gatilhos para a contenção de gastos, como proibição de reajustes ao funcionalismo e redução de repasses de receitas do PIS e do Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep) ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Pisos
O secretário do Tesouro reconheceu a dificuldade de aprovação do ponto da PEC que prevê a extinção dos pisos para gastos com saúde e educação. Embora defenda a proposta, Funchal destacou que o debate será difícil e que a intenção do governo é avançar com o tema.

Para o secretário, o governo gasta mais que o mínimo exigido pela Constituição para a saúde e a educação. No entanto, avalia que as regras atuais criam dificuldades para governadores e prefeitos, principalmente em cidades com maior parcela de idosos obrigadas a gastar mais com saúde e sem tanta pressão para investir em educação.

(Com Agência Brasil)

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