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“Não precisamos aplaudir tudo do governo Bolsonaro”, diz Janaina Paschoal

“Não precisamos aplaudir tudo do governo Bolsonaro”,  diz Janaina Paschoal

Deputada estadual mais votada da história (2,06 milhões de votos), Janaina Paschoal (PSL) promete ter posição independente do governo João Doria (PSDB) na Assembleia Legislativa de São Paulo. Em entrevista a MONEY REPORT, ela indicou que ainda é muito cedo para dizer se votará contra ou a favor das propostas encaminhadas por Doria. A autora do pedido de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff também garante que será crítica ao governo Jair Bolsonaro (PSL) quando precisar, ainda que seja do mesmo partido do presidente da República. “Ser do PSL não significa que vou aplaudir tudo que o governo Bolsonaro propor”, disse. Confira a seguir os principais trechos da entrevista.

Em que pautas o governo João Doria terá seu apoio?

Ainda está muito recente para dizer de fato o que apoiarei ou não, mas adianto que me preocupo muito com questões referentes à saúde, educação e segurança pública. O que for positivo, nesse sentido, terá meu apoio. Vamos esperar um pouco. O governo precisa detalhar o que quer para o estado.

Doria já demonstrou que sua administração será pautada pelas privatizações e enxugamento da máquina pública. A senhora concorda com essa agenda?

Vou ser uma grande aliada. Sou a favor da extinção de cargos e algumas privatizações, desde que sejam feitas com cautela.

O governador disse que pretende privatizar o sistema prisional do estado. Qual a sua avaliação?

Esse é um tema delicado, já que existem vários modelos. Há casos em que o Estado passa à iniciativa privada todos os serviços, mas permanece com a gestão. Isso envolve uma ampla discussão na Assembleia, por meio de projetos de lei. Não podemos nos esquecer que a execução da pena de um condenado é de titularidade do Judiciário, ou seja, do Estado. Resumindo, o governador precisará deixar mais claro como será esse processo.

Como você avalia a formação do secretariado do governo Doria?

Estou curiosa para saber as razões pelas quais o governador trouxe para sua equipe praticamente todo o ministério do ex-presidente Michel Temer (MDB). Não tenho nada contra os secretários, mas convidar o Kassab (Gilberto Kassab, ex-ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações na gestão Temer) para ser chefe da Casa Civil soou um pouco estranho.

Como assim?

Diante das acusações contra Kassab, é praticamente insustentável sua permanência no governo.

O ministro da Justiça, Sérgio Moro, prepara uma lei mais dura para criminalizar o caixa dois. Qual sua opinião sobre isso?

Com todo respeito ao trabalho do ministro, não vejo necessidade de voltar com esse debate. O caixa dois já foi definido como crime. Para quê criminalizar algo que já é crime?

Qual sua avaliação dos primeiros dias do governo Bolsonaro?

Bolsonaro está indo bem. Está sendo fiel ao que ele prometeu na campanha. Tem formado um governo com nomes que compactuam com as pautas que ele apresentou à sociedade durante o pleito. Percebo que ele não está virando as costas para suas promessas. Vejo um ou outro desencontro, que me parecem naturais para início de governo.

A senhora se refere às declarações desencontradas entre Bolsonaro e seus ministros?

Isso não é tão grave assim como a imprensa faz crer. Faz parte do amadurecimento da gestão. São seres humanos com cabeças e pensamentos diferentes. Penso que, com o tempo, todos estarão mais alinhados.

No dia de sua diplomação, a senhora afirmou sobre o governo Bolsonaro: “Se andar bem, sou aliada. Se andar mal, sou contra”. O que quis dizer com isso?

Isso precisa ser melhor esclarecido. Não serei contra a pessoa do presidente Jair Bolsonaro. Por exemplo, se o governo apoiar a candidatura do senador Renan Calheiros (MDB) à presidência do Senado, serei contra. Isso é público. Já tenho afirmado em diversas ocasiões: ‘Renan, não’. Ser do mesmo partido do presidente não significa que temos que aplaudir tudo do governo. Não vou aplaudir uma candidatura que considero errada.

Qual sua opinião sobre a candidatura de Rodrigo Maia à presidência da Câmara dos Deputados?

Não tenho nada contra ele, mas seria bom a gente tentar algo novo, como o deputado eleito Kim Kataguiri (DEM-SP). Kataguiri tem esse perfil de novidade, além de ser comprometido com as mudanças que precisam ser feitas no país.

A eleição para os presidentes do Senado e Câmara será fechada. O que espera dos resultados?

Isso é um absurdo. O eleitor tem o direito de saber como seu parlamentar vota no Congresso. As presidências da Câmara e Senado são cargos de extrema importância para o país. Os presidentes têm, respectivamente, a responsabilidade de abrir processos de impeachment contra o presidente da República e contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). 

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