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“Não podemos ser meros espectadores dos problemas do Brasil”, diz presidente da Suzano

Presidente da Suzano Papel e Celulose, Walter Schalka liderou recentemente uma das maiores transações comerciais da história do país. Em março, a Suzano pagou R$ 8,5 bilhões para assumir o controle da concorrente Fibria, negócio que deu origem a um colosso com valor de mercado superior a R$ 80 bilhões. Mesmo envolvido em um projeto tão ambicioso, Schalka encontrou tempo para dar vida ao movimento “Você Muda o Brasil”, lançado oficialmente na segunda-feira (27). Capitaneado por ele e um grupo de empresários e executivos como Luiza Helena Trajano (Magazine Luiza), Rubens Menin (MRV), Pedro Passos (Natura) e Paulo Kakinoff (Gol), o movimento quer debater alternativas concretas para mudar o país. Na entrevista a seguir, Schalka fala sobre o que o motivou a se engajar na iniciativa.

Por que você decidiu, ao lado de outros executivos e empresários, criar o Movimento Você Muda o Brasil?

A questão é que houve nos últimos anos um distanciamento muito grande do empresariado com a política. Todo mundo acha que entrar na política é mexer em coisas sujas. Isso criou um problema que não leva a lugar algum. Os empresários e executivos não entram na política porque acham que ela não é limpa. Com isso, a política acaba prescindindo de boas ideias que a sociedade pode oferecer. Achamos que era hora de lançar um movimento que proponha ações pragmáticas para transformar o país.

O problema é que há um desencanto muito grande da sociedade com a política.

Sim, mas não podemos virar meros espectadores dos problemas do Brasil. É preciso agir. Durante muito tempo, uma boa parte da sociedade, e os empresários se incluem nisso, achou que o problema não era responsabilidade dela. Mas é. O Brasil só irá mudar de verdade se a sociedade for protagonista dessa transformação.

O fato de o movimento ser liderado por empresários não o torna restritivo demais?

O movimento não defende a agenda pró-negócios, mas a agenda pró-Brasil. Precisamos acabar com essa história de que empresário é do mal. Existe uma certa tendência na sociedade brasileira de achar isso. De fato, alguns empresários são, mas a maioria não é. A maior parte trabalha muito, paga impostos e gera empregos. Repito: a ideia do movimento é reaproximar a sociedade da política e fazer com que as transformações essenciais, e com as quais nós concordamos, sejam implementadas.

Que transformações são essas?

Para transformar o país, é fundamental investir em ética e educação. Sem isso, não sairemos do lugar. Vários setores da sociedade devem ter consciência que muitos de seus privilégios não poderão ser mantidos. O Brasil tem um passado patrimonialista, e isso se mantém até hoje. Todo mundo vai ter que abrir mão de algo, principalmente as classes mais altas.

O que você pretende fazer para espalhar essas ideias?

A partir de agora vamos colocar essas ideias na internet, divulgar nossos vídeos nas redes sociais. Mas não são só empresários e executivos que irão participar do movimento. Temos que envolver pessoas com maior visibilidade social. Vamos atrair artistas, atletas, cientistas. O Brasil que está aí gerou um processo de descrédito muito grande. Nós temos que ganhar a confiança da população e para isso precisamos da participação de toda a sociedade civil.

Qual é a inclinação partidária do movimento?

É um movimento apartidário. Não queremos defender político A ou B. Queremos defender o Brasil.

Os candidatos dos extremos lideram as pesquisas. Isso o preocupa?

Falo agora como pessoa física e não como integrante do movimento. Sim, estou preocupado com a polarização no Brasil. Faltam só 40 dias para a eleição e não se discute ideias concretas para mudar o país.

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