Levantamento BTG/Nexus mostra que atual mandatário abre 19 pontos entre eleitoras, enquanto liberal lidera entre homens; religião, idade e região também revelam um país dividido
A disputa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) segue acirrada na corrida presidencial de 2026, mas os cruzamentos da mais recente pesquisa BTG Pactual/Instituto Nexus mostram que o embate é marcado por profundas diferenças no perfil do eleitorado. O maior contraste aparece no recorte por gênero: Lula registra 48% das intenções de voto entre as mulheres, contra 29% de Flávio Bolsonaro, uma vantagem de 19 pontos percentuais. Entre os homens, o cenário se inverte: o candidato do PL lidera com 45%, enquanto o petista aparece com 34%.
A divisão também é evidente quando a pesquisa analisa a religião dos entrevistados. Lula mantém vantagem entre os católicos, com 46% das intenções de voto, ante 34% de Flávio. Já entre os evangélicos, o quadro é inverso: o senador alcança 50%, enquanto o presidente soma 28%, consolidando esse segmento como um dos principais pilares de sua candidatura.
O levantamento revela ainda diferenças relevantes entre as faixas etárias. Lula concentra seu melhor desempenho entre os jovens de 16 a 24 anos, grupo no qual chega a 50% das intenções de voto, mais que o dobro dos 21% obtidos por Flávio. Na faixa de 25 a 40 anos, porém, o candidato do PL assume a dianteira, com 43%, contra 33% do presidente. Entre os eleitores com 60 anos ou mais, Lula volta a abrir vantagem, registrando 50%, ante 31% do adversário.
As disparidades também aparecem no mapa eleitoral. No Nordeste, Lula lidera por 48% a 34%, enquanto no Sul o cenário se inverte de forma expressiva: Flávio Bolsonaro alcança 51% das intenções de voto, contra 27% do petista. No Sudeste, maior colégio eleitoral do país, Lula aparece numericamente à frente, com 42%, diante de 35% do senador. Já nas capitais, o presidente soma 44%, contra 29% de Flávio, enquanto no interior a disputa é praticamente equilibrada, com 41% para o candidato do PL e 40% para Lula.
Outro recorte reforça a importância dos programas sociais na disputa. Entre os beneficiários do Bolsa Família, Lula registra ampla vantagem, com 58% das intenções de voto, enquanto Flávio aparece com 23%. Entre os entrevistados que não recebem o benefício, a disputa fica praticamente empatada: 39% para o senador e 38% para o presidente, dentro da margem de erro da pesquisa.
Os números indicam que, embora a corrida nacional permaneça apertada, a polarização se manifesta de forma bastante distinta conforme o perfil social, religioso e regional do eleitorado brasileiro.
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