Colaborador do caso Master relata sete transferências ao Havengate, nos EUA, feitas a mando de Daniel Vorcaro. Último pagamento ocorreu em setembro de 2025
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), homologou nesta quarta-feira (9) a delação premiada do empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro, apontado como operador financeiro ligado a Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. O acordo foi firmado com a Procuradoria-Geral da República (PGR) e validado após audiência em que Freixo confirmou ter aderido à colaboração de forma voluntária.
Na delação, Freixo afirmou ter realizado sete transferências ao Havengate Development Fund, nos Estados Unidos, entre janeiro e setembro de 2025. Os aportes somaram US$ 12,333 milhões — cerca de R$ 62,8 milhões pela cotação de setembro daquele ano — e foram feitos por meio da subscrição de cotas do fundo. Segundo o colaborador, as operações foram realizadas pela Entre Investimentos e Participações a mando de Vorcaro.
De acordo com o UOL, Freixo declarou que Vorcaro determinou os repasses após pedidos e cobranças do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), apontado como um dos idealizadores de “Dark Horse”, filme sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro. O Havengate foi utilizado para financiar a produção.
Segundo o blog da Andréia Sadi, do G1, a estrutura inicialmente acertada previa mais de dez subscrições de cotas do Havengate, que poderiam chegar a cerca de US$ 24 milhões. Antes de cada operação, Vorcaro entrava em contato com Freixo para autorizar a transferência. O empresário entregou às autoridades comprovantes dos pagamentos e e-mails relacionados às operações. A última transferência relatada ocorreu em setembro de 2025 e foi de US$ 1,66 milhão.
Esse último pagamento chama atenção porque ocorreu meses depois de maio de 2025, data que Flávio Bolsonaro havia apontado como o encerramento dos repasses de Vorcaro relacionados ao projeto. Freixo afirmou ainda não saber qual foi a destinação final dos recursos depois que o dinheiro chegou ao Havengate. A Polícia Federal (PF) investiga se todo o montante foi efetivamente aplicado na produção de Dark Horse ou se parte teve outra finalidade.
Além das operações envolvendo o fundo, Freixo relatou na colaboração supostos pagamentos de propina a políticos. Os nomes mencionados permanecem sob sigilo por determinação da PGR e do STF. Segundo o UOL, Mendonça também deverá analisar a colaboração premiada de João Carlos Mansur, ex-controlador da Reag Investimentos, que aparece nas investigações do caso Master.
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