Desta vez foi na Comissão de Agricultura da Câmara
A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, foi alvo de ataques e ofensas durante audiência na Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados, nesta quarta-feira (2). Convidada a prestar esclarecimentos sobre o aumento das queimadas e do desmatamento na Amazônia, Marina foi novamente alvo de ataques verbais por parte de alguns parlamentares.
O deputado Evair Vieira de Melo (PP-ES) subiu o tom ao criticar a gestão da ministra e afirmar que suas falas eram feitas apenas para a militância. Segundo ele, Marina teria dificuldades com o agronegócio. “A senhora tem dificuldades com o agronegócio porque nunca trabalhou, nunca produziu, não sabe o que é prosperidade construída pelo trabalho”, criticou o parlamentar.
Em resposta, Marina reagiu com firmeza, mas mantendo o tom de serenidade. “Hoje de manhã fiz uma longa oração e pedi a Deus para me dar calma, porque sabia que, depois do que aconteceu no Senado, as pessoas achariam normal o que está acontecendo aqui – em um nível piorado. Mas acho que Deus me ouviu, porque estou em paz”, declarou.
Evair Melo voltou a atacar a ministra, chamando Marina de mal-educada e dizendo que seu ministério está em péssimas mãos. Ele ainda usou o termo “adestrada” para se referir à ministra.
O clima da audiência ficou ainda mais tenso quando o deputado Zé Trovão (PL-SC) declarou que Marina era uma “vergonha como ministra” e a repreendeu por, supostamente, não prestar atenção enquanto ele falava. “Quando a gente vai falar com alguém, é bom a pessoa prestar atenção”, afirmou o parlamentar.
Durante os ataques, o presidente da Comissão, deputado Rodolfo Nogueira (PL-MS), interveio em diversos momentos e pediu respeito à ministra. Marina, ao retomar a palavra, pediu mais civilidade no debate. “Essa é uma forma ofensiva de se dirigir a uma mulher. Quando um homem ergue a voz, ele está sendo incisivo, como foram Vossas Excelências. Isso não é um show, é a defesa da dignidade”, concluiu a ministra.
Desmatamento
Dados do Prodes – sistema de medição que tem mais precisão e aborda períodos maiores -, o desmatamento na Amazônia foi de:
- 2022: 10,36 mil km²;
- 2023 : 9,06 mil km²;
- 2024 : 6,28 mil km².
Houve diminuição em 2023 e 2024, os dois anos fechados da gestão Marina Silva. Em 2025, até 20 de maio, o Deter – sistema que mede com periodicidade maior que o Prodes -, identificou alertas de desmatamento em 2 mil km².
Além do desmatamento, por si só, que é a remoção completa da vegetação do solo, existe a degradação florestal, que é um grau menos drástico de agressão. A degradação engloba queimadas ou extração de madeira que não resultam em destruição completa.
Uma pesquisa do Instituto Amazon, mostrou que a degradação aumentou e fechou o ano passado com 36.379 km², 497% a mais do que em 2023, quando foram atingidos 6.092 km².
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