Presidente usa símbolo em resposta às sanções dos EUA, cobra defesa da soberania e aciona prioridades do governo em meio à recuperação de popularidade
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reuniu nesta terça-feira (26) toda a Esplanada dos Ministérios pela segunda vez em 2025. O encontro, marcado pelo uso de bonés como resposta simbólica às críticas do ex-presidente norte-americano Donald Trump, teve clima de enfrentamento às sanções impostas pelos Estados Unidos ao Brasil.
Lula cobrou que todos os ministros busquem os melhores projetos engavetados nos ministérios e defendam pública e politicamente a soberania nacional diante do que chamou de “traição à pátria” por parte da família e dos apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro, em especial o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), acusado pelo petista de fazer lobby em Washington contra o governo brasileiro. O deputado pode ser processado por crime econômicos e contra o sistema financeiro nacional.
“O que está acontecendo hoje no Brasil com a família do ex-presidente e com o comportamento do filho dele nos EUA é uma das maiores traições à pátria da história do Brasil”, disse Lula, em tom duro.
Nas entrelinhas da reunião ministerial, os preparativos para o PT no governo encarar a corrida eleitoral de 2026. O presidente também reforçou que ministros devem assumir protagonismo na comunicação política. O ministro da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Sidônio Palmeira, apresentou o novo slogan do governo, que substituirá “União e Reconstrução”, e pediu alinhamento no discurso das pastas.
O encontro ocorreu no momento em que a popularidade de Lula mostra sinais de recuperação. Pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta semana aponta queda na rejeição ao governo, com a diferença entre aprovação (46%) e desaprovação (51%) reduzida à metade em relação ao mês anterior.
Entre as prioridades no Congresso até dezembro estão a ampliação da isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, a PEC da Segurança e o envio de projetos para regulamentar as big techs. Lula também pressionou ministros a acelerar obras do Novo PAC, considerado o carro-chefe de investimentos do terceiro mandato.
