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Líder do governo quer criminalizar pesquisas

Da redação
3 de outubro de 2022
Datafolha, Ipec e Quaest apontavam Lula com 49% a 51%. Petista obteve 48,43%, dentro da margem de erro

O desempenho do presidente Jair Bolsonaro (PL) acima do projetado pelas pesquisas na votação do primeiro turno, além de resultados surpreendentes nos estados para cargos de governador e senador, aumentam a pressão sobre o trabalho dos institutos de opinião. O discurso reverberado pelos bolsonaristas depois do resultado das urnas é visto como prioridade para reverter a diferença no segundo turno. Por causa disso, o líder do governo na Câmara, deputado Ricardo Barros (PP-PR), apresentará nesta segunda-feira (3), um projeto de lei que criminaliza o erro nas pesquisas.

O parlamentar afirmou que seu projeto estabelecerá punições severas aos institutos de pesquisas cujos resultados dos levantamentos, às vésperas das eleições, ultrapassarem a margem de erro. “Não dá mais para fazer pesquisa fria com tanto descaramento”, afirmou. As últimas pesquisas presidenciais do Datafolha, Ipec e Genial/Quaest apontavam que, até sábado (1º), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tinha de 49% a 51% das intenções de votos válidos. Pela margem de erro, de 2 pontos percentuais nos três estudos, o petista podia ter de 47% a 53% nas urnas no domingo. Lula obteve 48,43%, portanto dentro da margem de erro.

No entanto, não ficaram na margem de erro os resultados sobre as intenções de voto para o presidente Jair Bolsonaro (PL). Os últimos levantamentos dos três institutos variaram de 36% e 39%. Mas Bolsonaro obteve nas urnas 43,2% dos votos. O líder do governo protestou sobretudo quanto aos resultados em São Paulo e no Rio Grande do Sul, em que as pesquisas marcaram vitórias, respectivamente, de Fernando Haddad (PT) e de Eduardo Leite (PSDB), mas eles foram superados pelos bolsonaristas Tarcísio de Freitas (Republicanos), e Onix Lorenzoni (PL).

“Nestes estados não teve nada de margem de erro. Foram pesquisas frias, literalmente. Pesquisa publicada na véspera da eleição cujo resultado não coincida dentro da margem de erro é crime”, frisou o deputado, que proporá “pena alta, não só de cadeia como de indenização”, defendeu.

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