Documentos obtidos pelo UOL comprovam a solicitação, feita um dia após o primeiro turno das eleições
A investigação sobre erros nas pesquisas eleitorais iniciada pela Polícia Federal em outubro, a mando do Ministério da Justiça, foi realizada após um pedido de Valdemar Costa Neto, presidente do Partido Liberal, o partido de Bolsonaro. As informações foram publicadas pelo UOL nesta quinta-feira (15).
A reportagem do UOL obteve documentos que comprovam o pedido de Valdemar, endereçado nominalmente ao Ministro da Justiça e Segurança Pública, Augusto Torres.
No ofício, datado de 3 de outubro de 2022, ou seja, um dia após o primeiro turno das eleições, o presidente do PL solicita a “instauração de procedimento investigativo para apurar as práticas delitivas”.
Para justificar o pedido, Valdemar afirma que Bolsonaro obteve desempenho “bem superior ao que [foi] projetado pelas pesquisas na votação do primeiro turno do pleito eleitoral”. Ele afirma que os resultados para governador e senador também divergiram.
O documento ainda contém uma planilha anexada que faz um comparativo entre o resultado final da votação do primeiro turno e as recentes pesquisas de diferentes institutos, sinalizando a diferença de pontos do resultado oficial e do apurado pelas empresas nas pesquisas.

No dia seguinte, 4 de outubro de 2022, o ministro da Justiça encaminhou à Polícia Federal um pedido de investigação sobre as pesquisas eleitorais e seus respectivos institutos. O pedido é embasado no ofício de Valdemar.
No texto, também obtido pelo UOL, ministro fala em “erros crassos e em série cometidos por alguns institutos de pesquisa no que diz respeito as intenções de voto dos eleitores às vésperas das eleições”. Ele afirma haver “amplo histórico de erros absurdos em âmbito regional e nacional”, e que isso acaba “ influenciando negativamente e fraudulentamente a corrida eleitoral”.

Moraes suspendeu investigações
Em 13 de outubro, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Alexandre de Moraes, determinou a suspensão das investigações contra os institutos de pesquisa, realizadas pela Polícia Federal e pelo CADE.
A justificativa de Moraes foi de que a PF não teria competência para apurar o caso. Segundo ele, as investigações “aparentavam ter falta de justa causa”, e também falou em abuso de poder.
