Documento reafirma compromisso climático, defende multilateralismo e inclui pautas africanas
Mesmo com o boicote dos Estados Unidos e sob resistência explícita do presidente Donald Trump, os líderes do G20 aprovaram neste sábado (22), em Joanesburgo, a declaração final da cúpula. O texto, de 30 páginas e 122 itens, foi aprovado por aclamação na sessão inaugural e reafirma compromissos com a agenda climática, o multilateralismo e o fortalecimento de mecanismos globais de resposta a crises.
Os EUA não enviaram delegação ao encontro, em meio ao agravamento das tensões diplomáticas entre Washington e Pretória. Trump acusa o governo sul-africano de promover “genocídio branco” e rejeitou previamente a inclusão de referências às mudanças climáticas no documento — tema que o presidente americano nega publicamente.
Mesmo sem mencionar explicitamente a responsabilidade humana pelo aquecimento global, a declaração reafirma o cumprimento das metas do Acordo de Paris, do qual Trump retirou os EUA no início deste ano. Para o anfitrião da cúpula, o presidente sul-africano Cyril Ramaphosa, a aprovação foi considerada uma vitória diplomática. Ele afirmou que a ausência de um texto final seria “um rebaixamento” do primeiro G20 sediado em solo africano.
“A integridade e a credibilidade do G20 não podem ser enfraquecidas”, disse Ramaphosa. Em discurso, agradeceu as delegações que “trabalharam de boa-fé” para viabilizar o documento. Na véspera, o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva havia reiterado apoio ao governo sul-africano na negociação do texto.
Prioridades africanas e clima no centro do debate
A declaração inclui temas defendidos historicamente pela África do Sul e outros países em desenvolvimento, como ampliação de mecanismos de alívio da dívida, investimentos em infraestrutura sustentável e uso de minerais estratégicos para cadeias produtivas verdes. O documento também destaca o papel da inteligência artificial no desenvolvimento sustentável e pede mais investimentos no continente africano.
Os países do G20 reforçam ainda a necessidade de fortalecer sistemas de resposta a catástrofes naturais — fenômenos que, segundo pesquisadores, tendem a aumentar com o avanço das mudanças climáticas.
Ucrânia, Gaza e Sudão: apelo por soluções pacíficas
O texto aborda também conflitos internacionais e condena o terrorismo. Líderes pedem soluções pacíficas para as crises na Ucrânia, na Faixa de Gaza e no Sudão. Paralelamente à cúpula, estão ocorrendo encontros multilaterais e bilaterais entre chefes de governo.
Entre eles, está prevista uma reunião entre o premier britânico Keir Starmer, o chanceler alemão Friedrich Merz e o presidente francês Emmanuel Macron, que discutem o plano de paz para a Ucrânia proposto por Trump.
Protestos do lado de fora
Do lado de fora do centro de convenções Nasrec, onde o encontro ocorre, manifestantes realizaram protestos contra a cúpula. A polícia sul-africana bloqueou vias de acesso para impedir que os grupos se aproximassem do local.
O G20 encerra seus trabalhos neste domingo (23).
