Dados enviados à CPI do Crime Organizado indicam transações entre 2023 e 2025; fundo também repassou recursos a empresa ligada a familiar de Daniel Vorcaro
Comunicados bancários encaminhados ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontam que o Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC) Gold Style, administrado pela Reag, recebeu cerca de R$ 1 bilhão de empresas investigadas pela Polícia Federal por envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
As informações foram enviadas à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, no Senado, e abrangem operações realizadas entre 2023 e 2025.
Segundo dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), a Reag é responsável pela administração, gestão, custódia e distribuição do fundo. A empresa também é citada em investigações relacionadas a fraudes envolvendo o Banco Master.
De acordo com registros enviados ao Coaf, os aportes ao fundo incluem R$ 759,5 milhões da Aster Petróleo, distribuidora de combustíveis apontada como parte de um esquema de lavagem de dinheiro e sonegação fiscal investigado na Operação Carbono Oculto, que atua em ao menos oito estados. O alerta foi feito pelo Banco do Brasil em agosto de 2024, antes da deflagração da operação.
Outras movimentações incluem R$ 158 milhões da BK Bank, fintech identificada pela Polícia Federal como integrante do núcleo financeiro utilizado pelo PCC, e R$ 175 milhões da Inovanti Instituição de Pagamento, que, segundo relatórios enviados ao Coaf, movimentou mais de R$ 778 milhões de pessoas físicas e jurídicas sob investigação.
Os documentos também indicam que o fundo realizou repasses. Segundo comunicação feita pela própria Reag ao Coaf, o Gold Style transferiu R$ 180 milhões à empresa Super Empreendimentos. A companhia teve como diretor, entre 2021 e 2024, Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro.
O comunicado foi registrado uma semana após a primeira fase da Operação Carbono Oculto, em setembro de 2025.
Reag é alvo de investigações
A Reag também foi alvo da Operação Compliance Zero, que apura irregularidades no Banco Master e levou à prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, em 4 de março. No mesmo contexto, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da Reag Investimentos.
Investigadores suspeitam que a empresa tenha participado da estruturação e administração de uma rede de fundos utilizada para movimentações consideradas atípicas, com indícios de ocultação de riscos, inflamento de resultados e possível lavagem de dinheiro.
A hipótese em análise é que a estrutura de fundos teria sido usada por integrantes do PCC para dificultar a identificação dos beneficiários finais, inclusive por meio de veículos com cotista único.
A Reag também é citada na Operação Carbono Oculto, que investiga um esquema bilionário de fraudes no setor de combustíveis associado à organização criminosa.
