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“Desigualdade se combate com emprego e não taxando fortunas”

Para Moisés Jardim, presidente do Partido Novo, essa é a melhor estratégia para combater a disparidade de renda no país. Em entrevista a MONEY REPORT, Jardim falou também sobre os ideários do partido e a estratégia de campanha. Confira.

Como o senhor avalia o quadro atual de políticos? 

A avaliação do Novo é que existe um desgaste muito grande da classe política e uma falta de representatividade em relação aos eleitores. Muito se fala que o Brasil tem 35 partidos, mas a nossa leitura é que faltam partidos de verdade. O que temos hoje são legendas usadas por algumas pessoas e grupos, que não representam o eleitor. Percebo uma distância enorme entre a classe política e os eleitores.

O que o leva a pensar assim? 

Isso está evidente no cenário atual. As pesquisas mostram que mais da metade da população ainda não definiu seu voto. Muitos não querem votar em candidatos de partidos tradicionais. São tempos de mudança e transformação.

Na sua avaliação, a renovação do Congresso será alta nesta eleição?

É difícil dizer. Existe de fato uma vontade de que haja uma renovação. Mas, ao mesmo tempo, o sistema eleitoral se protege e impede que a renovação aconteça na velocidade que deveria ser. Isso se deve às regras eleitorais. Neste ano, temos um reduzido calendário eleitoral, o que impossibilita aos novos entrarem na política. A soma de tudo isso impede a renovação que gostaríamos.

João Amoêdo não tem participado dos debates na TV. Qual é a estratégia do partido para alcançar os eleitores, além das redes sociais?

Por meio de nossos quase 50 mil voluntários e apoiadores que realizam ações nas ruas, nas principais cidades do país. Essa é uma das estratégias. Sempre fizemos eventos públicos para atrair apoiadores. Desde o começo do ano até agora, o Novo já fez mais de 900 eventos pelo Brasil. São eventos que variam de cinquenta a cem pessoas e com resultados positivos

O partido propõe o fim do horário político gratuito. Qual seria o modelo ideal para que os candidatos apresentem suas propostas?

Acreditamos que o partido deve se sustentar com as contribuições de seus apoiadores engajados. Pensando nisso, uma vez que o partido tenha seus recursos e capacidade de se sustentar, que ele banque sua campanha. O horário eleitoral de hoje é uma renúncia fiscal. Defendemos uma campanha na rua, próxima das pessoas, com campanhas de convencimento. Isso é política, o jeito que consideramos correto de se fazer campanha, e não na TV e rádio. Além, é claro, das redes sociais.

O Novo não faz coligação. Se chegar à presidência da República, como irá lidar com as negociações do Congresso Nacional?

É importante deixar claro que não fazer coligações não é uma questão de princípios do partido. Não somos contra a coligação. O que ocorre atualmente é que não encontramos uma legenda que compartilhe dos mesmos princípios que nós temos. Hoje é inviável, pois não encontramos similaridades em meio a tantos partidos. Coligações são necessárias, mas que elas ocorram por princípios, valores, plano de governo e ideias.

Mas, se eleito presidente da República, será com esses partidos que João Amoêdo terá que governar no Congresso.

João Amoêdo já tem deixado claro como irá governar. Será na base da negociação, do diálogo transparente e republicano. Uma vez eleito e dando o exemplo, o próprio Congresso também terá uma mudança de comportamento, ainda que não se renove tanto quanto gostaríamos. Isso será a favor do eleitor e do contribuinte. Penso que o Legislativo irá entender isso.

O Congresso tem bancadas e grupos muito fortes, que são pautados por interesses corporativos e não abrem mão de legislar em causa própria.  

Não estou dizendo que será fácil. Reconhecemos esses grupos existentes no Congresso. Vamos nos sentar com eles de uma maneira muito republicana. Afinal de contas, muito desses grupos são verdadeiros e, digamos assim, defensáveis.

Mesmo os que legislam em causa própria? 

O que estou querendo dizer é que vamos manter o diálogo com todos os grupos. Claro, os interesses individuais não vão prevalecer em detrimento do interesse do contribuinte e do eleitor em geral. É importante dizer que a população demanda mudanças, está cansada dessa velha política.

Se um partido liberal ganhar a eleição e convidar o Novo para participar do governo, a legenda aceitará?

Ainda não temos uma questão definida em relação a isso, e nenhum compromisso com partidos políticos e coligação. Se eventualmente isso acontecer e um membro do partido aceitar, será uma decisão pessoal e não partidária. O Novo sempre estará disposto a contribuir para um governo liberal e que trabalhe dentro dos princípios que nós acreditamos.

Os críticos dizem que o Novo é um partido de ricos.

Desde o início nos chamam de “o partido dos banqueiros”. De fato, alguns fundadores do partido vieram do mercado financeiro. Mas é importante citar que, na sua composição original, contamos com 180 pessoas das mais variadas profissões que assinaram o manifesto de fundação do partido. Atualmente, o Novo é mantido por contribuições dos seus 23 mil filiados.

Mas todas as legendas também são mantidas por contribuições de filiados.

Em relação aos demais partidos, o que nos diferencia é que eles estão sendo financiados pelo dinheiro público, seja pelo Fundo Partidário ou Eleitoral, ou por outros recursos que a Operação Lava Jato tem mostrado de onde vêm. Nós, do Novo, não dependemos dessas verbas.

Dos mais de 400 candidatos nesta eleição pelo Novo, somente 60 se declararam pretos ou pardos à Justiça Eleitoral. A que se deve um número tão baixo?

Não temos esta preocupação. No nosso processo seletivo, não temos nenhum programa de cotas para determinar essa representatividade racial. Não vetamos e nem inviabilizamos a participação de nenhuma das raças existentes, mas também não privilegiamos nenhuma delas também. Penso que isso é um processo natural. É bom lembrar que, mesmo no Congresso, a participação dos negros também é baixa. Pensando nisso, o Novo vai acabar chegando mais ou menos na mesma proporção.

Para o Novo, a representatividade racial não é importante?

Não é bem assim. Nós entendemos que é importante ter essa representatividade. Mas entendo que, ao forçar que isso aconteça, ou criar condições específicas para que isso ocorra, na verdade estamos criando uma condição artificial e não necessariamente representando bem a sociedade. Penso que nós devemos ter as pessoas mais capacitadas e alinhadas com os nossos princípios (do partido), que é de tratar do indivíduo em primeiro lugar.

O Novo defende a privatização em vários níveis. O senhor poderia detalhar melhor esse ideário?

Defendemos que o Estado tenha a gestão de suas áreas fins, ou seja, saúde, educação e segurança pública. Claro, não é o Estado necessariamente o melhor operador, mas ele pode estimular e gerir os recursos para que cheguem melhor a essas áreas. Agora, na área de segurança pública, temos a questão da gestão de presídios, que podem ser administrados pela iniciativa privada, com concessões que o governo pode fazer.

O discurso da privatização não é bem-visto no Brasil perante à população. Isso não compromete o futuro do partido?

Compromete mais o futuro do país do que o futuro do partido Novo. Se a gente continuar com esse tipo de leitura, de que o Estado precisa administrar banco, entregar carta para as pessoas, quem perde na verdade é o país como um todo, que ainda pensa dessa forma. Entendo que isso é uma questão de cultura. As pessoas ainda custam a entender esse assunto. Os últimos governos venderam a ideia de que privatizar não é uma boa escolha. Mas a história mostra que houve experiências de sucesso, como o caso do setor de telefonia e a Embraer.

O partido é contra taxar grandes fortunas. Isso não pode ser visto pela população como uma defesa dos interesses particulares de Amoêdo, que declarou o maior patrimônio (R$ 425 milhões) à Justiça Eleitoral?

Vejo isso por outro lado. Penso que ele está sendo transparente nesse sentido, está colocando o assunto em debate. O Novo entende que a melhor maneira de diminuir a desigualdade social é gerando riqueza e emprego, e não taxando fortunas. Quanto às críticas, isso se deve um pouco à cultura de que brasileiro bem-sucedido não é bem-visto.

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