Document
PATROCINADORES

Demora no acionamento das térmicas agravou crise. Governo nega

Diante da Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara dos Deputados, especialistas do setor elétrico afirmaram nesta quarta-feira (8) que a crise no setor elétrico foi agravada pelo acionamento tardio de usinas termelétricas. De acordo com eles, os reservatórios das usinas hidrelétricas vinham se esvaziando desde 2020, quando as termelétricas deveriam ter sido acionadas de tempos em tempos para preservar água deste ano.

Barragem do Descoberto, principal reservatório de fornecimento de água para o Distrito Federal

Professor da Escola de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e ex-presidente da Empresa de Pesquisa Energética, estatal responsável pelo planejamento energético, Maurício Tolmasquim disse: “Hidrologia ruim? Sim, mas não é o único fator. Houve problemas de gestão”. O professor de Planejamento Energético da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e ex-presidente da Eletrobras, Luiz Pinguelli Rosa, foi mais enfático ao destacar o nível de chuvas de 2020 já demonstrava a necessidade de acionamento das térmicas.

As afirmações corroboram uma entrevista que o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque (imagem), deu ao jornal O Globo, em 6 de setembro deste ano, afirmando que o presidente Jair Bolsonaro foi informado sobre o risco da crise hídrica em outubro de 2020, durante uma reunião com o diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), André Pepitone, e com Rodrigo Limp, ex-secretário de Energia do MME e atual presidente da Eletrobras. Também partiu do mandatário criar uma campanha de incentivo a redução do consumo. A campanha custará R$ 120 milhões.

À comissão, o MME, a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANS) e a Aneel contestaram as críticas. O secretário adjunto de Energia Elétrica da pasta, Domingos Andreatta, afirmou que as medidas estão sendo adotadas de modo racional e sem atropelos.

O Brasil atravessa a sua crise hídrica mais severa dos últimos 91 anos, e o volume de chuvas neste ano foi pior que o esperado, afetando de forma particularmente grave os reservatórios das regiões Sudeste e Centro-Oeste. Os reservatórios que abastecem a região metropolitana de São Paulo estão todos em déficit de armazenamento de água em relação a 2013, ano que antecedeu a última crise hídrica, de acordo com dados da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) divulgados nesta terça-feira (31). No total de volume armazenado, a diferença é de 19,2 pontos percentuais. A previsão para os próximos meses é de ainda menos chuva e mais seca. 

“Sistematicamente, conforme indicavam as previsões climáticas realizadas desde o final do ano passado – e atualizadas mensalmente –, a situação dos mananciais está piorando. Hoje, temos que todos os sistemas produtores disponíveis em 2013 estão em situação pior. Como resultado, temos 19,2 pontos percentuais menos água armazenada em 2021 do que no mesmo período de 2013. Isso reforça a perspectiva de que esta nova crise hídrica se transforme em uma crise de abastecimento em 2022.”  explicou na semana passada Pedro Luiz Côrtes, professor do Programa de Pós-Graduação em Ciência Ambiental do Instituto de Energia e Ambiente (IEE) da Universidade de São Paulo (USP).

Compartilhe

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on whatsapp

Comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Pergunte para a

Mônica.