Levantamento com 2.002 pessoas mostra predomínio do campo conservador, avanço do centro entre jovens e diferenças marcantes por idade, escolaridade e religião
Um terço dos brasileiros se identifica como de direita, enquanto 22% se declaram de esquerda, segundo pesquisa Datafolha divulgada na quarta-feira (24). O levantamento ouviu 2.002 pessoas com 16 anos ou mais, em 113 municípios, entre os dias 2 e 4 de dezembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.
De acordo com o estudo, 17% dos entrevistados se posicionam no centro, 11% na centro-direita e 7% na centro-esquerda. Outros 8% afirmaram não saber ou preferiram não opinar sobre seu posicionamento político.
O cenário reflete um país polarizado, com manifestações recentes organizadas tanto por grupos de esquerda — que defendem a soberania nacional e criticam o chamado “tarifaço” e a anistia — quanto por grupos de direita, que têm como pautas a defesa da liberdade, apoio à anistia e críticas ao Judiciário.
Quando os entrevistados foram convidados a se posicionar em uma escala em que 1 representa apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e 5 indica simpatia pelo campo petista, 40% se classificaram como petistas, enquanto 34% se disseram bolsonaristas. Outros 18% afirmaram ser neutros, 6% disseram não apoiar nenhum dos dois grupos e 1% não soube responder.
Escolaridade e faixa etária
O recorte por escolaridade mostra diferenças relevantes. Entre os entrevistados com menor nível de instrução, 41% se identificam com a direita, 26% com a esquerda e apenas 8% com o centro. Já entre aqueles que concluíram o ensino médio, o percentual dos que se posicionam no centro sobe para 21%, índice semelhante ao observado entre pessoas com ensino superior (20%).
A idade também influencia o posicionamento político. Entre jovens de 16 a 24 anos, 30% se declaram de centro, 26% de direita e 16% de esquerda. No grupo com 60 anos ou mais, o centro perde força: apenas 9% se posicionam nesse campo, enquanto 42% se identificam como de direita e 25% como de esquerda.
Religião e voto
O levantamento também analisou o perfil religioso dos entrevistados. Entre católicos, 36% se declaram de direita e 24% de esquerda. Entre evangélicos, a inclinação conservadora é ainda mais acentuada: 42% se identificam com a direita, contra 16% que se dizem de esquerda.
A pesquisa cruzou ainda o posicionamento ideológico com o comportamento eleitoral nas eleições presidenciais de 2022. Entre os que se declaram de esquerda, 9% afirmaram ter votado em Jair Bolsonaro. Já no grupo que se identifica como de direita, 22% disseram ter votado em Luiz Inácio Lula da Silva.
Mesmo entre os eleitores que se associam diretamente a lideranças políticas, há registros de voto cruzado: 5% dos que se dizem bolsonaristas afirmaram ter votado em Lula em 2022, enquanto 7% dos que se declaram petistas disseram ter escolhido Bolsonaro no último pleito.
