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Covid mata Colin Powell, primeiro secretário de estado negro dos EUA

Complicações decorrentes da covid-19 levaram à morte o político, diploma e ex-militar americano Colin Powell, aos 84 anos. A informação foi divulgado por meio um comunicado familiar em sua página no Facebook. General de quatro estrelas veterano do Vietnã, ele foi o chefe do estado-maior conjunto dos Estados Unidos, a mais elevada atribuição para um militar americano, sendo o principal conselheiro uniformizado da Casa Branca. Foi ele quem conduziu a Operação Tempestade no Deserto, que liberou o Kuwait dos invasores iraquianos, em 1991, fragilizando o ditador Saddam Hussein. Seu prestígio era tamanho que foi mantido no posto pelo democrata Bill Clinton, após ter atuado com o republicano George Bush, o pai. Depois, se tornou o primeiro afro-americano a ocupar o cargo de secretário de estado (2001-2005), no primeiro mandato de George W. Bush. Antes de Barak Obama na presidência (2009-2017) e Condoleezza Rice (2005-2009), sua sucessora na secretaria de estado, ele foi o afro-americano a ter atingido o mais alto posto no governo dos Estados Unidos.

“Queremos agradecer a todos no Centro Médico Walter Reed pelo tratamento. Perdemos um grande marido, pai, avô e um grande americano”, diz o texto. Ele morreu na cidade de Bethesda, no estado de Maryland, perto de Washington DC”, diz a mensagem, que afirma que ele tomou as duas doses de vacina. O ex-presidente George W. Bush lançou um comunicado (embaixo) lamentando sua morte e enaltecendo suas contribuições.

Respeitado politicamente, Powell teve em suas mãos a condução de quase 30 crises militares ao longo de um período contraditório. Enquanto a economia americana se preparava para o salto da era Clinton, na política externa o mundo vivia os tremores sucessivos decorrentes da queda do comunismo. Em vez de uma abordagem de mera força bruta, elaborou o que ficou conhecido como Doutrina Powell, que pregava intervenções limitadas e temporárias mediante uso de força esmagadora em situações que não ameaçassem diretamente a segurança americana, desde que houvesse aprovação da opinião pública. Sua experiência como capitão e major no Vietnã havia lhe ensinado que nada adiantaria bombardear um alvo sem apoio dos eleitores.

Powell com o colega e subordinado, general Norman Schwarzkopf, nos preparativos para a Operação Tempestade no Deserto, em 1990

Sua trajetória foi manchada por dois episódios. A defesa da invasão do Iraque, em 2003, sob a alegação jamais comprovada da existência de armas químicas de destruição em massa junto ao combalido regime de Saddam Hussein. Powell fez um discurso na ONU baseado em argumentos falsos. O ataque surgiu na esteira da resposta americana aos atentados contra as Torres Gêmeas, em 11 de setembro de 2001, pelo grupo terrorista sunita Al Qaeda. Antes, no Vietnã, seus relatórios minimizaram o massacre de 347 civis na aldeia de My Lai, em 1968. Quando revelado, no ano seguinte, o crime de guerra jamais punido acelerou a oposição civil à presença dos EUA no Vietnã.

A trajetória de Powell é descrita em sua autobiografia, o best-seller “My american journey”, de 1995, sobre como um menino nascido no Bronx, em Nova York, filho de imigrantes jamaicanos, conseguiu se tornar um dos homens mais importantes da política americana. Em toda a sua vida, ele apenas frequentou escolas públicas. Considerado politicamente independente por toda a sua carreira militar de 35 anos, esteve ligado aos republicanos a partir de 1995, após deixar a farda. Ainda que tenha sido sondado como candidato presidencial e ao Senado, sabia das resistências do eleitorado republicano a um negro e preferiu atuar como palestrante, comentarista e conselheiro presidencial. Especialistas afirmam que sem sua presença, as intervenções militares americanas teriam sido mais agressivas – desastrosas. Nas últimas eleições, afirmou ter votado no democrata Joe Biden, em protesto contra Donald Trump, a quem apoiou discretamente no primeiro mandato.

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