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Chanceler Ernesto Araújo condena invasão, mas distorce raciocínio ao isentar invasores

Em uma sequência de publicações no Twitter, o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Ernesto Araújo, fez comentários imprecisos, contraditórios e fora de tom sobre a invasão do Capitólio, em Washington, na quarta-feira (6), por radicais que contestavam o resultado das eleições nos Estados Unidos.

O chanceler brasileiro começou bem ao escrever que “nada justifica” o ocorrido, mas logo depois aplicou panos quentes sobre os perpetradores: “Há que investigar se houve participação de elementos infiltrados na invasão”. Foi uma ginástica argumentativa que feriu abertamente a ponderação diplomática com componentes algo persecutórios. Araújo preferiu sugerir que uma manifestação com milhares de pessoas saiu do controle por puro trabalho de agitadores profissionais.

Ele também contestou o resultado das urnas nos EUA, embarcando na hipótese defendida por Trump – e Bolsonaro -, ao afirmar que grande parte do povo americano se sente agredido e traído, o que justificaria o distúrbio: “Duvidar da idoneidade de um processo eleitoral não significa rejeitar a democracia. Ao contrário, uma democracia saudável requer, como condição essencial, a confiança da população na idoneidade do processo eleitoral.”

Depois, foi mais longe, ao confundir críticas e protestos com violência e intimidação abertas e simples. Também comentou que os valentões antidemocráticos de direita não deveriam mais ser chamados do que são: “Há que parar de chamar “fascistas” a cidadãos de bem quando se manifestam contra elementos do sistema político ou integrantes das instituições. Deslegitimar o povo na rua e nas redes só serve para manter estruturas de poder não democráticas e seus circuitos de interesse.”

A posição de Araújo destoa de modo grosseiro dos comentários e preocupações externadas por líderes internacionais e ministros de outros países. Ou seja, o ministro fez tudo que um diplomata de carreira ocupando um alto cargo não deveria fazer.

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