Ao descobrir que o Comando do Exército iria emitir uma nota pública repreendendo o general de divisão – e ex-ministro da Saúde – Eduardo Pauzello por sua participação em um ato político no final de semana, o presidente Jair Bolsonaro proibiu qualquer manifestação. As determinações foram dadas na tarde desta segunda-feira (24) ao ministro da Defesa, Braga Netto, que é general de exército da reserva e superior hierárquico de todos os quinze generais de exército na ativa por ocupar o cargo de ministro. A ordem foi cumprida e o Exército deixou de se pronunciar sobre Pazuello, que seria investigado por transgressão disciplinar por participar de ato político público ao lado do presidente.
A ordem de Bolsonaro, interferindo diretamente no cumprimento do regulamento militar, pode ter um custo, pois desgasta o presidente com seus apoiadores de primeiro momento. Nem por isso Pazuello sairá incólume. Ele estará sujeito ao Alto Comando do Exército, que pode lhe reservar punições internas e inviabilizar sua desejada promoção ao generalato de quatro estrelas. Seria uma recompensa política, já que por ser militar da intendência, Pazuello é impedido por normas internas de atingir a maior posição de comando na força. Com isso, sua passagem à reserva passa a ser considerada mais próxima.
