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BolsoLula quer aditivar cloroquina nos combustíveis

Políticos gostam de soluções fáceis para problemas complexos. Falar de dólar e política cambial, nada

Neste sábado (7), no lançamento de sua pré-candidatura, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) falou do preço dos combustíveis. Na quinta-feira (5), em sua live semanal, Bolsonaro idem. Para ambos, óbvio, a gasolina e o diesel estão levados demais. Até aí, estão mais do que certos. Com as sucessivas elevações do preço do barril atingindo uma economia na qual o dólar oscila entre pouco mais de R$ 4 e acima R$ 5, o estrago é grande e provoca inflação, dado o tamanho do território e as distâncias a serem percorridas para que as mercadorias cheguem aos consumidores.

Só que ambos precisam com urgência apresentar saídas para um problemão complexo que estejam no alcance cognitivo do eleitor comum. E é aí que começa a desonestidade de ambos – cada um do seu jeito e nenhum muito diferente do outro. Lula faz o discurso estatista/intervencionista, alegando que a Petrobras é um patrimônio brasileiro e defende a mão do governo para baixar os preços. Uma impossibilidade. Com bilhões de dólares injetados por acionistas privados na petrolífera, segurar o dólar nos combustíveis seria um tiro no pé. Afinal, a maior parte do óleo e do gás extraídos vão para o mercado interno mesmo. O Brasil é um dos poucos grandes produtores – como os Estados Unidos – que joga para dentro quase tudo o que extrai dos poços. Não somos um Qatar ou um Kuwait, onde o balanço das exportações permite manter os preços internos subsidiados, já que o consumo interno é irrisório.

Daí vem Bolsonaro se fazer de vítima, comentando que o lucro da estatal é “um estupro” e que não o deixam baixar os preços. Mentira. Qualquer intervenção ou criação de uma espécie de câmara de amortização afetaria os recursos arrecadados pelo governo em um momento de aperto. Alguns países subsidiam os combustíveis, mas em todos há o fundamental que falta ao Brasil há algum tempo e é solenemente ignorado pelos principais candidatos à Presidência: estabilidade da moeda.

Enquanto não houver uma sensível, porém gradual, valorização do real perante o dólar e uma política cambial consistente que mantenha os preços dentro de flutuações menos danosas, toda e qualquer proposta com esse tom será um convite ao desastre. Com Bolsonaro e Lula falando parecido, ignorando a lógica de mercado e elegendo o intervencionismo como uma espécie de cloroquina contra a alta dos preços, tudo o que teremos será um remédio ineficaz, se injetado aos poucos, mas com capacidade de envenenar o paciente se administrada em grande dose. Enquanto o eleitorado polarizado se preocupa com as diferenças entre as propostas de ambos, o que mais deveria preocupar é onde os discursos ficam com essa cara e jeito de BolsoLula e LulaNaro.

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