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As recompensas para os “funcionários” de Vorcaro no Banco Central

Da redação
11 de setembro de 2026

A Polícia Federal identificou indícios de que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro custeou viagens e experiências de luxo para dois servidores do Banco Central que, segundo a investigação, atuavam em defesa dos interesses do Banco Master. As informações constam de documentos tornados públicos pelo STF e revelados pela Folha de S. Paulo.

De acordo com a PF, o então chefe de Supervisão Bancária do BC, Belline Santana, teria recebido apoio de Vorcaro na organização de uma viagem a Paris ao lado da esposa. As mensagens analisadas pelos investigadores mostram o ex-banqueiro coordenando reservas em restaurantes de alto padrão, além de orientações para a programação da viagem. A polícia considera que há indícios de que despesas da estadia tenham sido assumidas por Vorcaro.

Em outro episódio, a investigação aponta que o ex-diretor de Fiscalização do Banco Central, Paulo Sérgio Neves de Souza, e sua família teriam sido beneficiados por uma viagem à Disney, nos Estados Unidos. A PF afirma ter encontrado elementos que indicam o custeio da viagem por parte de Vorcaro, incluindo conversas sobre roteiros e logística.

A defesa de Paulo Sérgio contesta a versão dos investigadores. Segundo seus advogados, todas as despesas da viagem, incluindo passagens, hospedagem, ingressos e gastos no exterior, foram pagas com recursos próprios e podem ser comprovadas documentalmente. A defesa afirma ainda que o servidor desconhecia um suposto pagamento de US$ 38 mil realizado por Vorcaro a um agente de viagens.

Os relatórios da PF também apontam que Belline Santana teria recebido repasses que somam R$ 3,8 milhões, dentro de um esquema que, segundo os investigadores, serviria para favorecer o Banco Master. Os envolvidos alegam que os recursos estavam vinculados a um projeto de educação financeira voltado para jovens.

Na avaliação da Polícia Federal, os dois servidores teriam atuado de forma recorrente em benefício dos interesses privados de Vorcaro, indo além de suas atribuições institucionais. O relatório menciona orientação técnica ao grupo, revisão de documentos destinados ao próprio Banco Central, compartilhamento de informações sensíveis e participação em reuniões extraoficiais para alinhamento de estratégias ligadas ao conglomerado financeiro.

O caso ganhou novos desdobramentos após o STF retirar o sigilo de parte dos documentos relacionados às investigações sobre o Banco Master. O material será analisado pelo plenário da Corte nos próximos dias.

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