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As pedras no caminho da ascensão eleitoral de Augusto Cury

Da redação
8 de setembro de 2026

O avanço de Augusto Cury (Avante) nas pesquisas eleitorais tem chamado atenção, mas especialistas avaliam que sua candidatura enfrenta obstáculos importantes para sustentar o crescimento ao longo da campanha. Parte da alta do escritor está relacionada ao desgaste da polarização entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), o que abriu espaço para um nome visto como alternativa fora dos dois principais polos da disputa.

Nas últimas semanas, Cury alcançou a terceira colocação nas pesquisas e passou a atrair eleitores que antes apoiavam candidatos como Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão). Para cientistas políticos ouvidos pela Folha de S.Paulo, o movimento reflete mais o desejo de parte do eleitorado por uma opção diferente do que uma adesão consistente ao projeto político do candidato.

O principal desafio apontado pelos especialistas é a falta de propostas detalhadas. Embora Cury tenha defendido medidas como aumento da tributação sobre apostas esportivas e redução do número de ministérios, ainda não apresentou explicações concretas sobre como pretende implementar essas mudanças ou equilibrar as contas públicas.

Além disso, algumas ideias divulgadas recentemente, como o uso de drones no combate ao feminicídio e a criação de um Ministério da Inteligência Artificial, repercutiram nas redes sociais e foram alvo de críticas e questionamentos.

Outro ponto de atenção é a volatilidade de seu eleitorado. Analistas consultados pela reportagem avaliam que os votos recebidos até agora estão concentrados em eleitores sem forte identificação partidária ou ideológica, o que aumenta o risco de migração para candidaturas consideradas mais competitivas à medida que a campanha avança e cresce a pressão pelo voto útil.

A rápida expansão da presença digital de Cury também gerou questionamentos. Dados citados pela Folha de S.Paulo mostram que o candidato ganhou cerca de 2,5 milhões de seguidores no Instagram em menos de duas semanas, movimento que despertou suspeitas de adversários, negadas por sua equipe.

Para os especialistas, o futuro da candidatura dependerá menos do discurso de rejeição à polarização e mais da capacidade de apresentar propostas consistentes e demonstrar viabilidade política para governar. Sem isso, a tendência é que o crescimento observado nas primeiras semanas encontre limites conforme a disputa eleitoral se intensificar.

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